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Resenha – Pathfinder Chronicles: The Great Beyond—A Guide to the Multiverse (OGL)

O grande além, os mistérios além do firmamento. As dimensões planares como o céu, o inferno e outras regiões sempre tiveram uma relação intima com os cenários de RPG, e um livro sobre o assunto fatalmente seria lançado no Pathfinder RPG.

Enquanto na maioria dos outros sistemas a vida e a morte são experiências subjetivas e sublimes, nos jogos de D&D a coisa sempre foi mais blasé, a porta do céu tinha catraca e o inferno era igual a qualquer masmorra, apenas com desafios mais difíceis. Nem todo mundo gostava da maneira como isso era lidado, mas era uma visão confortável e judicialmente segura na processável sociedade ianque. Eventualmente os jogadores interessados em tramas mais espirituais e filosóficas foram agraciados com o cenário de Planescape que buscava unir o útil ao agradável  as masmorras e labirintos ainda estavam lá, mas toda a organização planar não era mais tão precisa e a busca pelo verdadeiro sentido da existência ainda era uma realidade do dia a dia apesar de você poder ir comprar pão no céu de manhã e ir numa casa de tolerância no inferno a noite. Muitos foram os fãs deste cenário e da maneira madura que certas questionamentos era lidados (pelo menos madura em relação ao que existia antes) e assim que ficou obvio que Planescape fora condenado ao limbo editorial na filosofia da terceira edição e adiante, muitos desses fãs procuraram saber o que os autores dos melhores livros andavam fazendo e acabaram conhecendo a Paizo (por exemplo: eu).

Mesmo muitos dos elementos que tornavam Planescape um cenário atrativo estarem de maneira geral presente na maioria do material de Golarion, sempre houve uma curiosidade sobre o que a mesma faria com os planos tendo uma liberdade maior do que a provida pela Wizards, sendo assim, The Great Beyond foi aguardado com grande ansiedade e que infelizmente não foi parcialmente atendida. O livro não tenta ser nada mais do que é, dando a impressão que o publico alvo dele é apenas das pessoas curiosas em ver como seria a organização planar de Golarion teoricamente. É compreensível, uma profundidade semelhante a Planescape seria criar um novo cenário e a proposta da Paizo é seguir com Golarion até o fim. Um breve resumo da cosmologia, uma descrição razoável de cada plano, alguns ganchos e pronto. O minimo necessário para marcar território e calar a boca dos curiosos.

“The Great Beyond” – Nesta capitulo a estrutura básica da cosmologia do Pathfinder RPG é descrita. É notável o esforço que os autores tiveram para diferenciar da cosmologia do D&D e ao mesmo tempo não tornar as duas incompatíveis. É perfeitamente possível com um minimo de esforço e adaptação simplesmente usar a velha cosmologia apenas trocando algumas coisas de lugar, ou fazer uma mescla dos melhores elementos de ambas. A unica coisa mais difícil é usar a cosmologia do Great Beyond para quem não conhece nada da cosmologia do D&D, os complicados conceitos e termos planares são explicados superficialmente (deixando entender que eles seria futuramente expandidos, algo que até a presente data não aconteceu), nada que um narrador antenado não possa compreender com algumas pesquisas na internet, mas pessoas que esperam descrição enciclopédica das estruturas planares, saiba que este livro não é para você.

A grande diferença é que enquanto a cosmologia de Planescape era um intrigado fluxograma de planos departamentalizados, os planos de Golarion são formados de esferas dentro de esferas numa enorme “matrioska” cósmica. Imagine que nosso universo é finito porem tão imenso que abriga quase infinitas possibilidades, existe lugares onde a física impera, outros onde a magia impera, existem lugares que são cópias dos outros com pequenas modificações apenas por força da probabilidade (como se fosse realidades paralelas). Nesse universo está Golarion, a terra e tecnicamente todos os planetas ficcionais conhecidos e desconhecidos, Azethoth está em algum lugar no vazio entre as estrelas e muito do Mythos de Lovecraft, no centro do universo está o plano da energia positiva, a origem da vida; e paralelo a ele está o plano das sombras (uma versão sombria de nosso universo) e no centro do mesmo está o plano da energia negativa. Em volta de tudo isso imediatamente fora do universo, está o plano elemental do ar, em volta dele o plano elemental da agua, por fim o plano da terra até chegar no plano elemental do fogo. Todo esse conjunto é denominado de esfera interna.

A esfera interna é enorme numa escala astronômica impensável e incompreensível  mas mesmo assim existe algo em volta, o plano astral onde ficam as estradas das almas que transportam as almas dos mortos para a esfera externa. O plano elemental do fogo é como uma enorme estrela no centro do plano astral, iluminando o infinito prateado. Além dele começa a esfera externa propriamente, o lado interior de uma imensa esfera, onde na superfície estão os diversos planos como Céu, Inferno, Elísio  Nirvana e etc… Atravessando a esfera externa chega-se ao Abismo, habitado apenas pelo inominável em suas profundezas levando a desconhecidos de magnitude ainda mais elevada e inexplorada até mesmo pelos deuses.

“The Inner Sphere” – O capitulo dá uma descrição bem rápida e condensada de cada plano da esfera interna, com pouquíssimos elementos mecânicos (já que esse livro tecnicamente ainda é 3.5E) e basicamente apenas diz o que tem e o que vive em cada plano. Alguns ganchos são bem interessantes e podem dar idéias, mas não formam um cenário, apenas dão subsídios ao mestre crie aventuras que se passem nesses lugares. O elemento mais intrigante é a existência de Shadow Absalom que meio que ocupa o posto de Sigil no universo de Golarion como a cidade acessível aos mortais entre os planos. Talvez um dia durante uma adventure path planar esses conceitos sejam melhores desenvolvidos.

“The Outer Sphere” – No capitulo dedicado a esfera externa, o sabor da experiencia de Planescape se faz presente como num vislumbre rápido. As moradas dos deuses são brevemente descritas, assim como o destino das almas dos mortos e um pouco dos principais conflitos planares (e algumas fofocas de conflitos divinos). Mesmo assim a atmosfera é de lugares misteriosos lendários e não de lugares corriqueiros a serem visitados turisticamente, mas sem muito profundidade dá margem a ambas interpretações e no fim acabam servindo mais para se saber de onde vem aqueles monstros cabulosos de CR altíssimo. É curioso mas podia ser melhor e provavelmente será um dia quando a Paizo resolver se aprofundar nos planos. É possivel se viver muito bem apenas com o que é descrito no Inner Sea World Book

“Other Dimensions” – Esse capitulo mais parece um tremendo brainstorm de idéias não utilizadas e planos que não se encaixaram em lugar nenhum. Algumas coisas que nunca foram desenvolvidas direito em nenhuma edição, mas sempre estiveram presentes como a dimensão do tempo e a dimensão dos sonhos são mencionadas. Algumas boa idéias são dadas, mas pouca coisa foi utilizada novamente (com exceção de Leng), então são apenas uma boa leitura que pode inspirar, mas nada de prático.

BESTIARY – Todas as criaturas aqui já foram atualizadas para o Pathfinder RPG em livros futuros, mas os interessados em sua versão 3.5E só as encontrarão aqui.

  • Astradaemon (CR 13): O grande predador do plano astral, devoram as almas dos mortos no caminho para o pós-vida.
  • Axiomite (CR 8): Os habitantes e senhores de Axis, a cidade da ordem perfeita (e que ocupa o lugar de Mechanus na cosmologia do Pathfinder).
  • Lurker in Light (CR 5):  Fadas malignas que abrem portais planares ao custo de sacrifícios de mortais.
  • Protean, Keketar (CR 17): Os Proteans são a raça caótica que substituiu os Slaad, criaturas serpentarinas do caos. (favorito)
  • Vulpinal (CR 9):  O equivalente swarshbuckler do Leonal (só que é uma raposa). Excelente aliado planar para ser conjurado.

Draconclusão: Eu gostaria muito de dizer que este livro vale a pena, mas mesmo não sendo um livro ruim e de certo modo cumprindo a sua proposta de satisfazer a curiosidade sobre a cosmologia de Golarion, ele sofre de alguns problemas graves. Talvez o maior deles foi ter sido lançado entre edições, o que causou pouquíssimo conteúdo mecânico (algo que nem sempre é ruim, mas no geral aventuras planares carecem de auxilio mecânico devido a realidades muito diferentes do mundo natural). A falta de vontade da Paizo em se aprofundar muito em conteúdo que ela não estava preparada para se comprometer ainda (provavelmente haverá muito retcons quando o assunto planos voltar a vanguarda) e a arte não estava nada inspirada para um assunto tão transcendental quanto esse. Compre apenas se você gostar muito do assunto aventuras planares e realmente esteja querendo idéias que voce mesmo irá desenvolver, no resto o livro ainda continua muito bem escrito sendo uma leitura interessante para qualquer fã.

Pathfinder Chronicles: The Great Beyond—A Guide to the Multiverse (OGL)

Notas: Sistema: 5.0 História: 7.0 Arte: 6,0 Relevância: 8,0 Média Final: 6,5

Editora: Paizo Publishing

Autor: Todd Stewart

Cartografia: Rob Lazzaretti

Arte: (capa) Wayne Reynolds, (interior) Andrew Hou, Jamie Sims, Sarah Stone, e Kevin Yan

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Maio/2009

Descrição: Livro 64 páginas capa mole

Ver o livro na página da Paizo

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