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Resenha – Pathfinder Chronicles: Dungeon Denizens Revisited (OGL)

Alguns monstros estão lá desde sempre, habitam nossas masmorras, são vencidos e derrotados, mas no fim do dia, mal lembramos que eles existem. Mas nós podemos dizer que realmente os conhecemos ? Dungeon Denizens Revisited pega dez criaturas clássicas e tenta repaginar o tradicional e transformar em algo inovador.

Na época em que este livro foi lançado, a Paizo estava realmente evitando lançar muito conteúdo de regras justamente porque o Pathfinder RPG seria lançado dois meses depois, e todas as linhas de produto iriam sofrer uma alteração de sistema. Isso acabou fazendo do DDR um livro que praticamente nasceria órfão, então eles apostaram mais no conteúdo do que nas regras (mas elas existem). Continuando a idéia anterior, são dez criaturas cujo único tema em comum é serem criaturas clássicas do ambiente de masmorras, e dez autores renomados que deveriam tentar transformar um punhado de estatísticas em vilões assustadores apenas com informações extras. Pode-se dizer que alguns tiveram um sucesso melhor que os outros, mas não pode-se deixar de se surpreender com algumas das idéias apresentadas no livro que realmente fazem muitos mestres repensarem seu uso de diversas criaturas que julgavam como mera piadas ou oponentes de videogame sem maior expressividade.

A arte do livro está fantástica, todas as criaturas receberam ilustrações bastante evocativas e intimidadores, mostrando que se usadas corretamente, poderiam servir como monstro assassino em qualquer filme de verão. Em especial a ilustração do verme purpura sufocando um tiranossauro rex e mostrando porque é um dos clássicos do D&D, ou a do clérigo tentando usar afastar mortos-vivos em um cubo gelatinoso com um esqueleto dentro.

Existem novos equipamentos e novos talentos no livro, mas a maioria dedicada explicitamente as próprias criaturas ou resultante do uso de partes das criaturas (ou na domesticação delas) em sua confecção. Sendo assim de qualquer jeito são coisas mais voltadas para o mestre, mas já fui surpreendido vez ou outra por jogadores requisitando um desses livros porque viu algum equipamento que complementava seu combo listado em algum site e acho isso um pouco desconfortável.

“Bullete” por Joshua J. Frost: Acho que nunca mestrei uma campanha sem uma luta contra um Bulette (principalmente porque tenho uma miniatura dele que fica na minha mesa do computador e estou sempre com ela no meu campo de visão), mas tenho de admitir que sempre pensei nos tubarões terrestres como oponentes CR 7 e não como predadores terríveis e implacáveis que nunca esquecem o cheiro de uma vitima e literalmente podem brotar do chão a qualquer hora. Depois de ler este artigo sobre o grande B, eu passaria um mês antes de acampar dormindo no chão novamente.

“Cloaker” por Sean K. Reynolds: É impressionante a profundidade psicológica que é dada aos cloakers nesse artigo. A existência torturada de uma raça de mantos vivos realmente se torna plausível ao leitor e até empática. E mesmo sendo uma raça de seres malignos sem perdão, é possível imaginar grandes interações com esses bichos psicóticos. Se voce quer entender um pouco melhor como interpretar aberrações inteligentes, leia esse artigo.

“Gelatinous Cube” por Rob McCreary: Mesmo quando eu era criança, era complicado levar a sério um hexaedro feito de gelatina de limão andando pelos corredores quadrados das masmorras. Foi uma missão difícil, mas Rob McCreary conseguiu não só tornar o cubo uma ameaça a ser levada a séria explicando todas as consequências da existência de um cubo num lugar, como também deu várias opções e variações interessantes como o cubo de ébano (o cruzamento de um cubo gelatinoso com um pudim negro). Eu só não gostei dos talentos para afetar gosmas e mucos com poderes que afetariam animais, por mais que a figura do druida da poluição seja intrigante, a possibilidade de jogadores inventarem algo bizarro é muito grande.

“Mimic” por Clinton Boomer: Talvez com exceção do monstro da ferrugem, o mimico sempre foi algo que os jogadores temiam. É um monstro que quebra as regras, tornando coisas seguras como baús e portas em inimigos em potencial. Embora o artigo não tenha muito sucesso em justificar um ser tão metajogo quanto o mimico, ele pelo menos cria enredos interessantes e aprofundamentos que podem gerar histórias interessante envolvendo um mimico que não seja apenas uma trollada do mestre envolvendo arcas de tesouro. Mas mesmo se sua opção só for combate, o livro adiciona algumas habilidades alternativas ao mímicos que certamente surpreenderão seus jogadores (um mimico que tentou se tornar um ser humano, falhou e agora quando mostra sua verdadeira forma é uma massa disforme de partes humanas. De devolver o almoço para o restaurante ).

“Otyugh” por Jason Bulmahn: Outra confissão, nunca gostei do Otyugh. Nunca o usei se não fosse o requisito de uma aventura pronta, sei lá, acho ele estranho demais. Ele tem a forma de um horror lovecraftiano e é usado como lixeiro ? Então quando vi que o autor era alguem que eu sempre acompanho o trabalho, criei uma certa expectativa para ver se minha idéia seria mudada. Infelizmente talvez esse artigo seja a minha maior decepção para com o livro, Jason Bulmahn não sai muito da linha Ecologia do Otyugh e não consegue mudar muito a forma como vemos a criatura e ele meio que continua a mesma coisa. Não sei se o problema sou eu que olhei com maus olhos, se faltou opção ao autor (já que os Otyughs já havia aparecido com esse background em Curse of the Crimson Throne) ou se ele não captou o espirito do livro. Mas se você é um mestre que gosta de utilizar Otyughs em seus jogos, existem várias novas opções como Otyughs mutantes ou que absorveram resíduos alquímicos e agora exalam substancias tóxicas.

“Owlbear” por Richard Pett: Outro autor que simpatizo e um monstro que eu sempre gostei, parecia uma receita de sucesso, mas assim como o Otyugh, esse artigo foi mais no caminho da ecologia da criatura do que um revisionismo. Mas ao contrário de Jason Bulmahn, Richard Pett engrenou umas origens e hábitos para o Owlbear que o deixam bem mais exótico e cheio de mistérios. O texto é divertido de ler, mas existe muito conteúdo mecânico para domesticar um Owlbear e isso conta negativo para mim. Mas vale muito a pena ler porque é muito bem escrito.

“Purple Worm” por Greg A. Vaughan: Depois de ler esse artigo, você acha os vermes-purpuras os predadores definitivos, capazes de desafiar o tarrasque se ele bobear. O autor foi muito feliz em passar o horror que é a existência de um verme-purpura na sua região e alia a variantes bem táticos e opções de poderes bem variadas. Eu sempre pensei em Greg Vaughan como um autor de aventuras e é bom saber que ele tem talento em artigos também.

“Roper” por Nicolas Logue: Como era de se imaginar, o talentoso Nicolas Logue nos brinda com um revisionismo perturbador e horripilante. As suas descrições da mentalidade roper se assemelham ao que foi feito pelos cloackers e vai muito além deixando um gostinho de quero mais, pois fica parecendo que havia muito mais material e este foi cortado. Se não fosse a falta de mobilidade, os ropers seriam ótimos substitutos para os beholders em Golarion. Não leiam antes de dormir.

“Rust Monster” por James L. Sutter: Seguramente o monstro mais encheu os corações dos jogadores de pavor, não por sua aparência ou força, mas pelo que ele poderia fazer com seu equipamento. Novamente uma criatura baseada em metajogo e novamente houve muita inspiração em criar credibilidade para uma criatura que enferruja e devora metais. Quem leu os contos de Eando Kline durante Curse of the Crimson Throne já tinha visto como os monstros de ferrugem podem ser aterradores numa civilização baseada em metal, e embora esse artigo não os torne antagonistas odiados, os torna uma parte do cenário que faz sentido e pode ser bem utilizada para muitas idéias (quem não lembra de um artigo que dizia que se um dia surgisse uma bactéria que devorasse plastico, iria causar o fim de nossa civilização ? É por ai.

“Shambling Mound” por Jason Nelson: Mesmo não sendo uma característica da criatura, o Shambling Mound que sempre foi um monstro planta mais conhecido por sua imunidade a eletricidade ganha os ares de horror orgânico. Juntando alguns poderes alternativos e sugestões sobre as origens dessas criaturas a tornam muito mais alienígenas e incompreensíveis que as aberrações no livro. Destaque para a origem deles em Golarion que se for verdade, pode inspirar até mesmo uma adventura path futura. Tenham medo do verde.

Draconclusão: De todos os livros do semestre de Legacy of Fire, esse é de longe o mais injustiçado. Ele é muito bom e muito util justamente por falar de criaturas que muitos já vem usando a anos e mesmo que não tenham conseguido trazer novas idéias, certamente trouxe novas opções para elas e isso sempre é interessante quando os jogadores acharem que estão enfrentando apenas outro cubo gelatinoso ou apenas um outro verme-purpura. A leitura é divertida e todas as idéias e tramas são bem inspiradas. Talvez o único pecado mesmo seja tanto material voltado para o jogador num livro supostamente para mestres, mas visto que na época a linha companion não era tão prevalente quanto é hoje, é compreensível. Dê uma chance a esse livro assim que puder, você vai se surpreender.

Pathfinder Chronicles: Dungeon Denizens Revisited (OGL)Notas: Sistema: 8.0 História: 9.0 Arte: 8,0 Relevância: 9,0 Média Final: 8,5

Editora: Paizo Publishing

Arte: (capa) Wayne Reynolds, (interior) Dave Allsop, Micheal Jaecks, Scott Purdy, Dean Spencer, Ben Wootten, e Kevin Yan

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Junho/2009

Descrição: Livro 64 páginas capa mole

Ver o livro na página da Paizo

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