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Resenha – Pathfinder Chronicles: Dark Markets—A Guide to Katapesh (OGL)

Katapesh não é somente o lugar onde se passa a Adventure Path: Legacy of Fire, ele é um reino com uma cultura antiga e riquíssima, uma das maiores cidades mercantes do mundo e está envolto em alguns dos maiores mistérios de Golarion. Dark Markets é o livro que apresenta tudo isso e muito mais.

Como primeiro livro formal sobre um reino inteiro publicado na linha Pathfinder Campaing Setting (o livro sobre Absalom se foca muito apenas na cidade), Dark Markets supera vários dos erros cometidos por outros guias anteriores (em especial o Guide to Darkmoon Vale) no sentido que ele proporciona uma experiencia completa, clara e compreensível. Campanhas inteiras podem ocorrer em Katapesh sem nenhuma intercessão com Legacy of Fire ao mesmo tempo que mestres que joguem a AP sentirão vantagens ao criar clima e ampliar a campanha (principalmente as cenas que ocorram em Katapesh capital). Embora seja fácil de subestimar o assunto (muitos jogadores não gostam de reinos que fujam da fantasia medieval eurocêntrica), o livro é facinante e de uma leitura rápida, os elementos culturais são apresentados de maneira intuitiva e não enfadonha, e as tramas sugeridas são muito boas e de fácil aproveitamento mesmo em campanhas que se passem em outras terras.

A ilustração de capa é maravilhosa, mas as ilustrações internas, embora boas e criativas, não são o melhor produzido pela Paizo. O conteúdo mecânico é bem raso (afinal estavam prestes a mudar de sistema) mas competente. O material tem um toque mais adulto do que a média das ultimas publicações, trazendo algumas ilustrações mais violentas e o retorno de temas como prostituição, escravidão e trafico de drogas (aliás o Pesh, a droga local, é praticamente um dos temas principais do livro) e pode ser interessante que pessoas com problemas de se lidar com tais assuntos leiam o livro com cautela e a mente aberta (lembrando que os livros da Paizo geralmente são voltados para jogadores adultos).

“Katapesh – Land of Adventure!” – A grande Katapesh é apresentada, costumes, geografia e principais adversidades são discutidos com bastante clareza e conforto. Como tradição, a Paizo coloca colunas laterais pontuais sobre os assuntos que merecem um desenvolvimento maior, mas desde já minha maior decepção do capitulo foi a timidez de se falar um pouco mais do povo comum de Katapesh, pois com tantos perigos na região, fica realmente estranho justificar tantas vilas afastadas. Nesse ponto eu prefiro fazer um paralelo com a Somália que possui vários paralelos com Katapesh e dizer que os humanos do deserto funcionam mais como tribos de nativos enquanto aqueles que vivem na capital e cidades maiores são aqueles que tiveram mais contato com outras culturas e se renderam a “civilização”. Eles colocam Abadar como uma das principais divindades junto a Sarenrae, mas Erastil como protetor das pequenas comunidades faria um pouco de sentido também.

Katapesh é um reino dividido entre um grande interior desértico, cheio de colinas, e uma costa rica com uma enorme cidade mercante dominada pelos misteriosos Pactmasters (Mestres do Pacto). Enquanto uma guerra pela economia do Mar Interno é travada na capital, no interior inúmeras tribos de gnolls escravagistas e dedicados a monstruosa deusa Lamashtu vivem ameaçando o povo. Katapesh está ao sul de Osirion (o reino “egípcio”) e ao norte de Nex (um reino criado pelo mago lendário de mesmo nome), por causa disso, Katapesh está envolta em muitos segredos sobrenaturais que vazaram destas duas terras, e possui algumas rotas comerciais em que várias caravanas atravessam o deserto para chegar nesses dois reinos. Katapesh fica em Garund (o continente ao sul de Avistan) que é similar a Africa, apesar de ter vários elementos de Casmaron por causa dos anos de domínio do grande império sobre Osirion (talvez por isso a forte presença de gênios na região).

“History of Katapesh” – Apesar de ser apenas uma página, ela complementa muito bem a linha do tempo presente no Pathfinder Chronicles Campaing Setting ( e atualmente no Inner Sea World Guide). Novamente a falta de espaço prejudicou a história abordar pouco a rivalidade com Absalom que teve uma história mais rica. Porem devido a Katapesh ser relativamente recente, tal problema é compreensível. A grande mudança na história de Katapesh que o impediu de ser mais um reino pobre e sem futuro foi a chegada dos Pactmasters, um grupo de cinco seres encapuzados, vindo de sabe-se lá onde, munidos com magia e armas que ninguem nunca tinha visto e subjugaram rapidamente a região e estabeleceram que ela seria testemunha de uma gigantesca cidade mercante com leis severas para que o comércio sempre aconteça de forma segura a toda as partes envolvidas, não importando o quê é comercializado.

“Katapesh – City of Trade” – O grande guia para o maior mercado do mundo é a parte mais interessante do livro, mas não porque Katapesh supere Korvosa ou Absalom como cidade, mas sim porque este capitulo funciona como um grande compendio de lojas, guildas e tramas urbanas. As idéias apresentadas aqui são todas bastante divertidas e interessantes (principalmente para grupos de nível alto), e mesmo fazendo mais sentido apesas numa cidade desse porte, uma coisa ou outra podem ser usadas sem problemas em qualquer lugar devido a natureza cosmopolita da cidade. Se só tiver tempo de ler uma parte do livro, comece por aqui, vale a pena.

“Adventures in Katapesh” – Boatos e idéias para aventuras que se passam em Katapesh são discutidos no capitulo voltado verdadeiramente para mestres e nele são discutido alguns dos segredos mais importantes do reino. Pessoalmente depois de ler esse capitulo, não senti falta de saber nada, porem as idéias de aventura não superam as idéias que tive lendo o resto do livro. De qualquer forma, o capitulo superou bastante seus antecessores e representa uma melhora substancial na capacidade da Paizo de criar um cenário divertido de ser lido e conhecido e com segredos suculentos de serem utilizados.

“Prestige Class: Balanced Scale of Abadar” – Continuando uma tendência de criar classes de prestigio baseadas nas divindades de Golarion, A “Balança Equilibrada de Abadar” segue com o tema de cidade mercante e se mostra como um “mercador divino”, alguém que representa a vontade divina pelo comércio de Abadar (tendo pouco a ver com seu lado de civilizador e urbanista). Ele troca um caster level (os requerimentos são mais facilmente alcançados por um clérigo/ladino) por vários poderes que facilitam a vida de um caçador de tesouros (criar bolsas do espaço infinito, pedir itens emprestados ao deus, facilidade de abrir trancas, etc..). Para personagens jogadores não é muito interessante mecanicamente, mas para NPCs e jogadores de jogos mais interpretativos ela funciona bem como agente da igreja de Abadar que por sua natureza pode ser envolver nas mais diversas tramas para garantir seu próprio interesse.

“Pesh Magic” –É incrível o poder se síntese dessas duas páginas. Dentro delas temos feats, magias e um talento que meio que modifica uma classe conjuradora de uma forma semelhante a um meio-arquétipo. Para meio entendedor meia palavra basta e com isso já suficiente para traçar toda relação entre narcóticos e magia (claro que ainda não existia o oráculo nessa época e seria interessante ler sobre os efeitos das drogas no poder oracular, mas isso é assunto para outra hora). É importante salientar que o livro não faz apologia as drogas, ele simplesmente a trata de maneira adulta, dizendo que ela existe, que as pessoas se matam para lucrar com seu uso e que ela traz tanto efeitos nocivos quanto benignos.

BESTIARY – Criaturas inerentes a Katapesh ou mais envolvidas com o background do país.

Aluum (CR 10): Quando os mistériosos Pactmasters chegaram a Katapesh e estabeleceram uma nova ordem, os Aluums foram a suas principais armas. Poderosos construtos capazes de tirar energia das almas dos mortais.

  • Dhabba (CR 1): Um canideo semelhante a uma hiena com um rabo de escorpião, produz uma saliva venenosa bastante usada em Katapesh como veneno incapacitante.
  • Eel, Sand (CR 5):  Predadores do deserto, as enguias de areia são uma ameaça constante as caravanas.
  • Ghul (CR 5):O resultado de um gênio se tornar um morto-vivo a partir de uma maldição criada pelo lorde dos Divs, Ahriman. (favorito)

Draconclusão: Este livro consegue escapar um pouco de ser um livro de nicho especifico por trazer excelentes exemplos e idéias para construir uma fabulosa cidade mercante com um toque de mil e uma noites. Mas mesmo assim é um livro interessante e ajuda bastante na aplicação de Legacy of Fire, mas não é obrigatório. Senti falta de mais detalhes sobre as guildas de ladrões que são tão fascinantes nesse tipo de cenário. O grande foco em narcóticos no entanto (mesmo tratando-os de maneira adulta), torna o livro tabu para aqueles que não querem esse toque de realidade em seus mundos fantásticos.

Notas: Sistema: 7.5 História: 7.5 Arte: 7,0 Relevância: 6,5 Média Final: 7,1

Editora: Paizo Publishing

Autor: Stephen S. Greer e Amber E. Scott

Arte: (capa) Vincent Dutrait, (interior) Concept Art House, Jason Engle, Jon Hodgson, Eric Lofgren, Eva Widermann, e Kieran Yanner

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Abril/2009

Descrição: Livro 64 páginas capa mole

Ver o livro na página da Paizo

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