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Resenha – Pathfinder Chronicles: Dragons Revisited (OGL)

Em primeiro lugar, a coisa mais importante a ser dita sobre o Dragons Revisited é que o livro não é um novo Draconomicon nem tenta substitui-lo. Nele você não vai encontrar detalhes da fisiologia dos dragões, nem dezenas de feats e itens mágicos feitos para os reis dos monstros ficarem mais turbinados em seus jogos. Tirarão um maior proveito do Dragons Revited, aqueles mestres que querem dar uma profundidade maior sobre os dragões e diferenciar cada um de seus tipos com personalidade e conteúdo, fornecendo idéias e sugestões de como utilizar essas criaturas em sua mesa.

O livro é bastante direto e conciso ao apresentar suas informações sem enrolar muito dizendo várias vezes a mesma coisa de várias maneiras diferentes. São dez capítulos, cinco para os dragões metálicos e cinco para os dragões cromáticos e pronto. Cada capitulo começa com uma ilustração de meia pagina mostrando cenas de cada tipo de dragão em seu ambiente (boas ilustrações, algumas mais felizes que outras, mas na média ilustram muito bem a personalidade de cada um) para depois discorrer sobre o que torna cada tipo de dragão único, como ele se relaciona com o mundo a sua volta, que tipo de toca e tesouro ele prefere, o que se sabe sobre esses dragões em Golarion e por fim, uma ficha 3.5E de um dragão exemplo (tem uma certa variação de faixa etária, mas a maioria dos dragões são bem velhos). O texto é tranquilo de ler e não é enfadonho em momento algum, apresentando lendas e maneiras como usar os dragões em diversas campanhas e que tipo de influencia ele pode ter sobre o cenário do seu jogo. Considerando se tratar de dez variações sobre o mesmo monstro, o autor realmente foi muito feliz em seu texto. As fichas dos dragões estão um pouco abreviadas e não são particularmente criativas, porem bastante úteis ao se precisar de fichas rápidas de dragões de perfis específicos (um dragão mais politico, ou mais combativo ou mais mágico etc…). Destaque para a ilustração da contracapa que tem as cabeças dos 10 tipos juntas e ficou muito bem feita ilustrando bem as diferenças.

“Introduction” – Apenas duas breves páginas que condensam algumas informações gerais sobre o mito de criação dos dragões (que pode ser lido de maneira completa apenas no artigo do Pathfinder #4 Dragons of Golarion) e alguns termos novos da mitologia dos dragões do Pathfinder (os tipos de dragões são chamados de sectos, existem mais sectos do que apenas os cromáticos ou os metálicos [estes são apenas os mais comuns], os dragões metálicos que se corrompem são chamados de tarnisheds “manchados”, e os dragões cromáticos que abandonam o mal são chamados de redeemed “redimidos”). Se essa introdução pudesse ter mais páginas e incluísse as informações do Dragons of Golarion esse livro soaria bem mais completo, talvez ainda exista chance de algo assim no futuro mas por enquanto é o que existe.

“Black Dragons” – Os dragões negros são apresentados como os mais anti-sociais dos dragões e os mais capazes de atos de vilania covarde e maldosa (como sequestrar princesas ou amaldiçoar comunidades). Logo no primeiro capitulo o livro mostra a que veio dando bastante personalidade a raça que escolhe em viver em pântanos e outros locais igualmente nefastos. No final temos a ficha de Seryzilian, um dragão de Ustalav mais voltado aqueles dragões de histórias de terror como um monstro alado que aterroriza vilarejos. A ficha dele apresenta um dos feats novos do livro (Noxious Bite, que faz com que a mordida do dragão cause dano de acido e pode deixar o alvo nauseado).

“Blue Dragons” – Os dragões azuis são apresentados como os manipuladores dos dragões, as maneiras sugeridas de como os grandes azuis montam suas redes de influencia são umas das partes que mais me deram ideias de boas histórias. O texto é muito bom mesmo detalhando desde sua vida no deserto até como eles começam a controlar as outras raças em sua volta primeiro controlando o acesso a água, e tudo sem tentar agir diretamente. Muito legal, é o meu capitulo favorito. A ficha exemplo é de Loaralis, uma dragoa de Garund que conseguiu fazer com que todos acreditassem se tratar de um boato enquanto manipula a cidade acima através de agente infiltrados em diversos setores).

“Brass Dragons” – A versão dos dragões de latão do Pathfinder os torna os dragões conhecidos por gostar de brincadeiras e de contato social, o que os torna os dragões mais acessíveis as raças humanóides. É através deles que existe a maior troca de conhecimento entre dragões e outras raças. Também por dividirem território com os azuis, acabam tendo trabalho em encontrar aliados para desfazerem o mal causado pela manipulações e engôdos dos mesmos. Também conhecemos Sarithil, um dragão adulto que coordena um “consorcio” para desenvolver a irrigação em Thuvia demonstrando que tipo de impacto social um dragão pode ter positivamente nas comunidades que ele abertamente se envolve.

“Bronze Dragons” – Os dragões de bronze ganham o status de estudiosos entre os dragões metálicos, sua sede de conhecimento supera até mesmo os lendários dourados. Os maiores tesouros desses dragões são suas vastas biblioteca de conhecimentos perdidos que eles buscam preservar. Sendo assim eles também são os dragões mais propícios a agir como defensores e guardiães de coisas que precisam ser protegidas (arquétipo comum de histórias heróicas). Spravilvost é um jovem dragão de bronze que se passa por humano e faz parte de um grupo de aventureiros. (Na sua ficha o outro feat novo do livro, Draconic Defender, que permite a um dragão dar bônus de AC a aliados próximos que ele deseja defender).

“Copper Dragons” – O mais impulsivo e pavio curto dos dragões metálicos (e também o mais fraco) é conhecido por lutar ativamente contra o mal na frente de combate. A ilustração que abre o capitulo é a minha favorita do livro, mas o capitulo em si é meio esquizofrênico não se decidindo se os dragões de cobre são concorrentes dos aventureiros na luta contra o mal, patronos na luta contra o mal ou lunáticos com boas intenções. Tyraxalan é um dragão de cobre que está infiltrado em Cheliax e de lá tenta suprir os esforços para derrubar o governo infernal da casa Thrune.

“Gold Dragons” – Os superiores dragões de ouro ganham um status muito acima dos problemas mortais, sendo aliados de seres celestiais e combatendo demônios ou lidando com problemas que afetam os dragões ou Golarion como um todo ou causas que não podem ser resolvidas facilmente exigindo dedicação e paciência milenar (deixando as tarefas normais do dia a dia com os outros). A impressão do texto é que os dragões de ouro são tão superiores e dedicados a causa da divindade dos dragões metálicos (Apsu que substituiu Bahamut como deus bom dos dragões em Golarion … tsc tsc tsc) que só se relacionam com outros seres como lideres ou inspirações para se tornarem seres melhores (mas que fora isso, ficam jogando dominó em algum paraíso dracônico deixando que os aventureiros façam todo o trabalho, como eu me junto a eles ?). Claro que o exemplo é um Great Wyrm dourado, Astarathian se dedica a manter a sombria nação de Nidal na linha, sem entrar em conflito direto e causar a perda de vidas.

“Green Dragons” – Os dragões verdes já eram uma pedra no sapato dos elfos e agora se oficializaram como os dragões especialistas em magia arcana. Mais uma vez os capítulos dos dragões cromáticos surpreendem mais do que os dos metálicos (que deveriam ter mais espaço para criatividade porque sempre foram mal desenvolvidos) e os verdes são a ovelha negra dos cromáticos porque sua dedicação a magia os torna quase redimíveis (embora a maioria seja egoísta e com sede de poder demais para isso). Juntos com os dragões de latão, os verdes são os que mais desenvolvem a politica interna dos dragões por se diferenciarem demais dos outros e adicionarem elementos ao metaplot dos dragões. Athervox é uma dragoa astrônoma que fez um acordo para treinar membros da casa Thrune de Cheliax e acabou sendo traída. O plot dela completo é bem legal e poderia render uma adventure path sobre exploração de planetas.

“Red Dragons” – Todo esplendor da fúria dracônica esta maravilhosamente representado tanto pelas ilustrações quanto o texto deste artigo. Os vermelhos se mantém como os terríveis inimigos máximos dos aventureiros e povos amantes da paz de Golarion. Arrogantes (por bons motivos) os vermelhos lideram os dragões cromáticos com bastante majestade, e formas como usar a destruição em chamas em campanhas são bem discutidas (mas apesar do bom conteúdo, não tenta se arriscar na criatividade). Um destaque é que o livro apresenta a única ficha de um NPC conhecido do cenário, Daralathyxl o rei dos dragões do Inner Sea (que foi apresentado no Guide to Darkmoon Vale). A ficha é decepcionante porque Daralathyxl sempre foi descrito como muito grande para os padrões mesmo dos great wyrm vermelhos e a ficha dele não tem nada de diferente de um (inclusive ele é CR 26 e o great wyrm dourado apresentado dois capítulos atrás é CR 27), com certeza ele só aparece novamente para o Pathfinder RPG quando as regras dos níveis míticos forem definidas.

“Silver Dragons” – Se os dourados são os clérigos dos dragões, os prateados são os paladinos. O capitulo descreve bem a constante luta desses dragões e sua tragédia (porque em sua frustração ao falhar, acabam se tornando os prateados os mais corruptíveis dos dragões metálicos) e também por serem dedicados a servir uma causa, são os mais prováveis de se unirem a campeões mortais como montarias na luta contra males excepcionais. O exemplo é Terendelev, uma fêmea prateada veterana na cruzada contra a worldwound, que está a beira de se corromper devido a grandes tragédias pessoais, um dos melhores plots desenvolvidos no livro para os dragões metálicos.

“White Dragons” – Os brancos são os dragões mais bestiais, considerados os de menor inteligência. No livro ocupam o nicho do dragão enquanto monstro animalesco, se preocupando mais com problemas de alimentação e território. Mesmo assim o autor consegue boas idéias em como usar essas características dos dragões brancos em boas historias dracônicas. O dragão exemplo é Lydek, uma dragoa que ameaça uma rota de comercio entre as montanhas geladas, mas nunca se tornando uma ameaça séria demais que atraia caçadores de dragões competentes o suficiente para elimina-la, perfeita para uma sessão rápida numa história de viagem.

Draconclusão: Considerando que o livro não é um livro de mecânica sobre dragões, nem um tratado pseudo-cientifico e nem se prepõe a ser O livro definitivo sobre os dragões de Golarion, o livro é perfeito para o que realmente se propõe: revisar os conceitos sobre os dez principais tipos de dragão. Nessa exata função ele cumpre muito bem seu papel realmente criando uma personalidade funcional, utilizável e divertida para cada uma das raças. O livro é curto e grosso e um tanto apressado, mas o texto é divertido e não se torna massante apesar da repetitividade do que seria 10 monstros iguais. Se for isso mesmo o que você quer, pode comprar tranquilo, mas se forem feats, itens mágicos ou até mesmo a história completa dos dragões em Golarion, procure em outro lugar.

Pathfinder Chronicles: Dragons Revisited (OGL)

Notas: Sistema: 8.0 História: 6.5 Arte: 8,5 Relevância: 7,0 Média Final: 7,5

Editora: Paizo Publishing

Autor: Mike McArtor

Arte: (capa) Daren Bader, (interior) Concept Art House, Andrew Hou, Ben Wootten, and Tyler Walpole

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Março/2009

Descrição: Livro 64 páginas capa mole

Ver o livro na página da Paizo

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  1. janeiro 18, 2012 às 9:53 am

    Não sei quanto a você autor, mas depois de Eberron, eu em particular dificilmente me surpreendo com as sociedades dracônicas de outros cenários, e acabo achando brega a divisão de dragões sempre bons, dragões sempre maus e etc. Creio que eu esteja meio corrompido e marcado pelo exemplo de um vilão dragão dourado que é louvado como um deus que tem num livro de eberron.

    Ainda assim, dragons of golarion me foi bastante útil com seu fluff extra e para definir os traços de personalidade. Claro que eu peguei tudo isso dissociado de tendência racial (quando eu usava o sistema de tendência padrão): Dourados são místicos e sobre a imortalidade, mas não bons ou maus; vermelhos são selvagens e furiosos, mas não bons ou maus.

    Agora, sem querer ser exatamente chato, mas ainda precisando perguntar: Existe um certo backlog grande; o autor tenciona superar ele, ou não?

    • janeiro 18, 2012 às 9:10 pm

      Eu joguei em Eberron muito pouco, mas como jogador de Mystara eu sempre tratei os dragões assim (em Mystara o alinhamento só é definido pelo eixo Law-Chaos).
      Quanto ao backlog, eu estou fazendo o meu melhor. Mas se quiser que eu comente algo em especifico é só perguntar. Ler eu só li o que resenhei, mas já passei os olhos em todos os livros.

      • janeiro 19, 2012 às 10:10 am

        Ok, aguardaremos então. Para mim o interesse maior seria um apanhado geral do tema, idéia e uso dos adventure paths. Desde que ganhei eles, não tive real tempo para ler qualquer coisa, e enquanto tenho uma certa idéia de para que é cada um (mas não o uso, tipo de campanha e etc a fundo), só conheço os que eu tinha antigamente, ou seja, até second darkness.

  2. Brenno
    janeiro 18, 2012 às 1:38 pm

    Gosto de suplementos que tratam deste tipo de informação. Faltou um dracolich e outras variações de dragões.

    • janeiro 18, 2012 às 2:40 pm

      O dracolich de Pathfinder se chama Ravener e aparece no Undead Revisited eu acho. Até agora só apareceram mais dois sectos de dragões verdadeiros (os dragões primais no bestiary 2 e os dragões imperiais no bestiary 3). Um tipo de dragãoo que está bombando muito ultimamente são os Linnorms, mas estes não são dragões verdadeiros e como são novos, ainda não receberam um espaço na serie revisited.

  3. julho 12, 2013 às 11:52 pm

    Grande Draco. Resenha mais que excelente.

    Parabens, gostei muito.

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