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Resenha – Pathfinder Companion: Legacy of Fire Player’s Guide (OGL)

E agora entramos no quarto semestre do Pathfinder, o semestre marcado pela contagem regressiva para o Pathfinder RPG e pela ultima Adventure Path lançada nas regras do D&D 3.5E, Legacy of Fire, que é considerada uma das melhores APs mesmo tendo sido ofuscada pelos lançamentos e pouco jogada por ser 3.5E. A principio ela é a primeira campanha da Paizo a sair do cenário eurocêntrico das APs anteriores, ela se passa no continente de Garundi (que tem muitas características africanas) na região de Katapesh e se passa num ambiente que mistura lendas do oriente médio e africano. Segundo os autores ela é baseada na trama de Genies War que seria a adventure path a ser lançada após Savage Tide se a dungeon magazine não tivesse sido absorvida pela Wizards of the Coast.

Assim como o Player Guide de Second Darkness, o Player Guide de Legacy of Fire faz dobradinha sendo ao mesmo tempo um Companion Book para a região de Katapesh (após assistir o filme Flor do Deserto, comecei a visualizar Katapesh como a Somália de Golarion) quanto livro preparatório para a campanha Legacy of Fire. Este também foi o ultimo guia do jogador das adventure paths que foi impresso e que teve de ser pago, a partir de Council of Thieves os player guides passaram a ser gratuitos novamente, mas apenas existindo no formato digital em PDF. Outra mudança marcante foi o amadurecimento do design dos livros da Paizo, inaugurando uma nova fase de identidade visual que perdurou até o inicio de Jade Regent (que está ainda mais bonito), todas as páginas ganham uma diagramação relacionada com o tema da campanha (no caso padrões árabes e as cores amarela e vermelha), as ilustrações ganham um nível acima de qualidade e a politica do NPC em destaque na capa passou a ser mais abrangente, agora não tem só vilões podendo aparecer aliados que tenham bastante destaque (até para evitar spoilers).

“Adventurers in Katapesh” –  Por ser uma cultura bem diferente desta vez, o livro faz um excelente trabalho ao preparar o jogador com boas sugestões de histórico para seus personagens. Todas as raças básicas possuem pelo menos um paragrafo sobre onde e como existem em Katapesh, e embora o livro fortemente incentive a confecção de nativos, opções para estrangeiros existem mas talvez não possuam tanto envolvimento com a história da campanha. As classes também estão muito bem representadas, como que tipo de arte é popular entre os bardos, quais linhagens dos feiticeiros são mais comuns, familiares desérticos para os magos e que tipo de paladino anda pelo sol escaldante (interessante notar que por ser um ponto de encontro de culturas, é um ambiente em que o monge quase não se sobressai como exótico). Por fim o livro acrescenta várias novas traits, algumas delas muito boas (como a roubadissima Dustwalker Agent, ou a salvadora Magic is Life) e outras trazendo elementos muito interessantes de histórico (em destaque Pesh Addict, Genie Blood, e Blade of Mercy).

Os campaing traits são todos relacionados a como cada aventureiro se junta a um grupo de mercenários contratados para reconquistar uma vila chamada Kelmarane que foi abandonada e foi ocupada por tribos de gnolls, agora os pactmasters de Katapesh desejam reabrir uma rota comercial com Osirion e para isso precisam recuperar Kelmarane. Os traits são:

  • Earning Your Freedom (Conquistando sua liberdade): O personagem teve uma vida como escravo, e agora apareceu uma oportunidade de voce ser liberto caso você ajude na recuperação de Kalmarane. Eu vejo mais esse trait para personagens ordeiros que não pensem em simplesmente fugir, tem uma vibe Anakin Skywalker muito forte.
  • Seeking Adventure (A Procura de Aventuras): Voce é um membro recente dos Pathfinders e sua primeira missão foi partir para Katapesh e ajudar na retomada de Kelmarane na esperança de explorar as ruínas da região. Essa é a melhor trait para personagem estrangeiros, mas de todas é a que menos tem envolvimento com a trama da campanha.
  • Reclaiming Your Roots (Recuperando Suas Raízes): Voce nasceu em ou sua familia sempre viveu em Kalmarane e foram forçados a fugir quando a vila caiu. Voce ainda está atrás de algo que ficou para trás e essa força tarefa para recuperar Kelmarane é a sua oportunidade de retornar. Essa é boa e traz bastante envolvimento pessoal com o plot, se eu fizesse personagem provavelmente eu escolheria essa e faria um personagem que quer encontrar o túmulo da mãe e tornar o lugar um oásis de paz a qualquer custo.
  • Gnoll Killer (Matador de Gnolls): Crescendo no interior de Katapesh, sempre ameaçado por eles, o fez ter ódio mortal da raça e a oportunidade de partir junto com um exercito para extermina-los lhe interessa. A famosa trait dos porradeiros, apesar de tudo ainda tem potencial para uma grande história de ódio. Perfeita para rangers.
  • Missionary (Missionario): Voce faz parte de uma religião e de alguma forma você se sente em divida com ela, e com a reconstrução de Kelmarane existe uma oportunidade de fundar um templo lá e estar entre os primeiros exploradores seria muito importante. Se você for de Sarenrae ainda tem todo um plot de um monasterio abandonado da deusa que pode ser reconsagrado. Embora pareça uma trait de clérigo, consigo imaginar qualquer tipo de personagem bem religioso com essa missão pessoal.
  • Finding Haleen (Encontrar Haleen): Existe uma mulher no seu passado (irmã, mãe de criação, amiga, amante etc..) que desapareceu e recentemente voce descobriu uma pista de que ela teria ido para Kalmarane, como a viagem sozinho seria perigoso, o alistamento na força tarefa surgiu como uma boa oportunidade. Outra trait bem ligada a história, só acharia estranho se o grupo todo pegasse essa  trait, o nome do grupo só poderia ser o Harém da Haleen.

“Katapesh” – Tanto um país quanto uma cidade, Katapesh é marcado pela influencia de várias culturas e pela dificil sobrevivencia em seu interior. O capitulo não tem spoilers e descreve bem a vida tanto no interior quanto na capital que é uma das maiores cidades mercantes do Inner Sea (chegando a rivalizar Absalom). Um lado obscuro do pais é a produção de Pesh, uma droga produzida a partir de um cacto muito encontrado no país que é altamente viciante e cujo trafico movimenta boa parte do mercado negro (algo equivalente a maconha ou cocaína). Tambem fala sobre os misteriosos Pactmasters que dominam a cidade de Katapesh, com vários rumores sobre quem ou o quê eles verdadeiramente são, enfim, todas as informações que um nativo poderia saber sem precisar contar nenhum segredo de jogo (servindo como ótimo acompanhamento para o livro Dark Markets: A Guide to Katapesh que seria a versão deste capitulo voltada para o mestre).

“Braving the Desert” – Uma revisão e ampliação das regras de sobrevivência no deserto, perigos comuns e equipamentos úteis em sua travessia. Existe um novo talento (Sandwalker) que facilita muito a sobrevivência no deserto para jogadores interessados (e facilita mesmo, a Paizo adora umas aventuras de sobrevivência).

Combat: “Exotic Arms” – Uma adição a lista de armas com algumas armas exóticas do oriente encontradas em Katapesh. Aqui alguns favoritos da Paizo surgiram (como o Meteor Hammer que ficou famoso por Kill Bill), mas faltou uma ilustrações que mostrasse como algumas dessas armas são por serem um pouco exóticas demais.

Faith: “Religions of Katapesh” – Uma explicação sobre os deuses mais comuns de Katapesh e que mudanças existem em seus cultos em relação a estes no continente de Avistan (que é onde se passaram as Adventure Paths anteriores). Nenhuma novidade a principio, os deuses menores Besmara (a rainha dos piratas) e Sivanah (a deusa das ilusões) já haviam aparecido antes. Talvez o maior destaque seja a importância de Sarenrae e Nethys que nunca tiveram muito destaque anteriormente.

Magic: “Wasteland Survival” – Assim como no Player Guide de Second Darkness houveram novos itens mágicos para sobrevivência no subterrâneo, aqui foi criado um mini catalogo de itens interessante para a vida no deserto. Alguns são interessantes do ponto de vista interpretativo (como a Bag of Everlasting Dung), outros são uma grande ajuda na sobrevivência (Dunestrider Boots, Goblet of Quenching, e Keffiyeh of Cooling), e outro são até desejáveis em ambiente de dungeon (Boots of the Soft Step, Sentinel Scorpion).

Social: “Achieving Greatness” – A Paizo sempre faz experiências com novas mecânicas e não está acima de procurar idéias de coisas que fazem sucesso em outras mídias, as vezes ela tem sucesso como no caso dos traits, em outras ela fracassa amargamente como neste caso dos Achievement Feats. As “conquistas” são uma mecânica popularizada pelos videogames e MMORPGs onde são distribuídos troféus quando um jogador realiza um proeza em jogo digna de nota. Aqui a Paizo tentou criar talentos que podem ser pegos depois que o personagem completou alguns pré-requisitos um tanto mais complexos (como ter matado 20 gnolls, ter curado 1000 pontos de vida, ou ter morrido e ressuscitado duas vezes). A idéia simplesmente não pegou por vários motivos (é complicado ficar contabilizando os requerimentos, é metajogo demais, etc…)

Persona: “Lucky Farouq” – O NPC convidado da edição é o Lucky Farouq (Farouq Sortudo), desta vez eles não colocaram o governante do país e sim um NPC que pode ser um contato, aliado ou até adversário do grupo. Faz mais sentido que um governante, mas ainda assim estranho num livro para jogadores. Farouq é um velho ladrão que já passou por muitas aventuras e tem muito o que contar, é um NPC que representa bem um aventureiro de Katapesh e realmente interessante de se adicionar numa campanha.

Draconclusão: Com excessão do Lucky Farouq, este livro é bem tranquilo de se entregar aos jogadores para eles terem toda referencia que eles precisarem sobre as terras de Katapesh e a campanha Legacy of Fire. As traits são interessante e os ganchos da campanha são envolventes e relevantes. Agora fora este uso, há pouca serventia do livro para campanhas que não sejam Legacy of Fire ou não se passem num deserto. Os Achievement feats podem ser idéias interessantes, mas da maneira como foram apresentadas não funcionam. O livro também se beneficiaria muito mais de arte mostrando paisagens de Katapesh ou pelo menos ilustrações de armas novas. Fora isso, o resto é muito bom e recomendo. Vale a pena experimentar seja ao menos para jogar fora do eurocentrismo.

Pathfinder Companion: Legacy of Fire Player's Guide (OGL)
Notas: Diversão: 8,5 Aproveitamento: 8,0 Arte: 7,0 Sistema: 8,0 Background:8,5 Nota Final: 8,0

Editora: Paizo Publishing

Autores: Brian Cortijo, Stephen S. Greer,James Jacobs, Jonathan H. Keith, F. Wesley Schneider,Amber E. Scott, and James L. Sutter

Arte:(capa) Vincent Dutrait, (interior) Andrew Hou, Concept Art House,Imaginary Friends Studio, and Julie Dillon

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Fevereiro/2009

Descrição: 32 páginas capa mole

Link para o livro

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  1. evelling
    novembro 22, 2011 às 8:03 pm

    Ooook
    Tá na minha lista, depois de ciganos eu adoro a cultura árabe. Será que o povo topa pular Crimson e ir para Legace of Fire? (queixo)

    • novembro 22, 2011 às 8:46 pm

      Pular Curse e Second Darkness né ? Legacy é a quarta.

  2. evelling
    novembro 24, 2011 às 10:50 am

    Second parece legal, mas não é prioridade. Confesso.

    • novembro 24, 2011 às 6:41 pm

      Pior que eu sei que voce iria gostar muito de Second Darkness. As que eu acho que não combinam muito com seu estilo são justamente Council of thieves (muito opressora), Serpent Skull (muito pulp) e Carrion Crown (a não ser que secretamente vc adore Ravenloft).

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