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Resenha – Pathfinder Companion: Elves of Golarion (OGL)

A série Pathfinder Companion é a linha de livros voltados a auxiliar o jogador na confecção de personagens para o cenário de Pathfinder. Nascida do sucesso dos guias dos jogadores das campanhas lançadas até então, a linha em seus primeiros números sofreu de um suto esquizofrênico até encontrar um nicho que realmente se sentisse confortável, ora tinha material voltado ao mestre ora apenas aos jogadores (recentemente a linha mudou de nome para Pathfinder Player Companion e se estabilizou como sendo uma linha que se especializa em suplementos que os mestres podem mostrar aos jogadores sem medo de spoilers). Elfos de Golarion infelizmente sofre desse mal apesar de ser em menor escala, ele procurar explicar em suas 32 páginas o que torna os elfos de Golarion únicos, alem de fornecer novas opções aos jogadores. A parte interna da capa já sumariza as mais importante informações referenciais do livro, como modificadores, exemplos de nome, panteão racial, locais onde existe cada subraça e etc… Infelizmente por ser o primeiro, Elfos de Golarion acabou se tornando o único dos livros de raça a ser lançado na fase 3.5E e portanto ainda guarda algumas relíquias que foram abandonadas no Pathfinder RPG (no Pathfinder RPG não existem variações como Grey Elf ou Wild Elf).

Elves of Golarion –  É um grande resumo de informações sobre raça, contando sua história, descrição, fisiologia, alimentação, cultura e todos os detalhes que os diferenciam da raça humana. Os elfos de golarion ainda são um mistério e muito de seu passado não é divulgado, em Golarion eles são mais alienígenas que fadas (são os gnomos que ocupam o nicho de meio-fadas), ao mesmo tempo que desdenham dos humanos por sua falta de civilidade, são caprichosos e realmente caóticos em todo sentido da palavra, ao ponto de serem arrogantes. Antes que a Starstone se chocasse com Golarion (criando chamado de “a era da escuridão” que foi um período de mil anos de trevas no mundo onde os orcs regeram até o surgimento dos anões e o retorno da luz do sol) os elfos fugiram para sua terra natal Sovyrian e só retornaram há alguns séculos atrás, retomando seus antigos domínios a força de seja lá quem estivesse vivendo por lá. Contudo, nem todos os elfos abandoram Golarion, alguns ficaram para trás e tem vivido todo esse tempo entre as raças de vida curta (os elfos de golarion recuperam a imensa longevidade dos tempos do AD&D), contaminados pela imensa tristeza de constantemente verem as pessoas importantes para eles envelhecerem e morrerem, são chamados de elfos abandonados (forsaken) pelos seus iguais e tratados com frieza. Esses são apenas alguns pontos abordados pelo livro, sendo bastante fascinante e dar uma nova proposta aos elfos e uma nova relação entre eles e as outras raças (apesar de não fugirem muito do arquétipo de elfo Tolkeniano).

Como se tornou uma marca registrada da linha Companion, o livro apresenta novos traits para elfos (se quiser saber mais sobre os traits, veja aqui). Os traits lidam muito com o fato dos elfos de golarion meio que viverem “encarnações” durante suas longuíssimas vidas e aos poucos irem se esquecendo delas (não é como se eles voltassem ao nivel 1, mas eles estudam um pouco de tudo e quando se cansam daquele conhecimento eles abandonam nas memorias), e com os traits ele se lembram de fragmentos de seu treinamento e manifestam poderes normalmente de outra classe (lembrando que traits equivalem a meio talento, logo não esperem algo melhor que truques “cantrips” ou coisa parecida). Um trait que chama a atenção é o Calistrian Prostitute que causou bastante discussão nos fóruns por dar bônus a personagens que são ex-prostitutos sagrados da deusa Calistria.

Kyonin: Kingdom of the Elves – Um breve gazeteer sobre o reino principal dos elfos no Inner Sea. È um artigo bem escrito, mas decepciona um pouco por ser (com excessão de alguns detalhes) bem lugar comum do que se espera de um reino elfo, florestal com cidades magicamente belas e que não agridem a natureza. Na verdade este artigo possui alguns spoilers sobre o que os elfos escondem em suas florestas, mas é coisa leve e não deve causar problemas.

Combat: Alchemical Archery – Aqui começa a parte que os jogadores realmente se interessam. A sessão de combate nos apresenta o mais moderno da alquimio-magi-tecnologia elfica de criação de flechas. Esqueçam as flechas +1, existem coisas bem crocantes aqui como flechas que não quebram (e não soltam as tiras), flechas que causam dano por sangramento, flechas magnéticas que são atraídas por armaduras de metal e até flechas que fazem o alvo ganhar resistência a magias de cura. Os elfos realmente fizeram seu dever de casa.

Faith: Born Again – Este é um capitulo estranho pois adiciona um subsistema do qual nunca mais ouvimos falar novamente, divine pacts. São pactos divinos feitos pelos mortais com certos deuses, em troca de certas vantagens eles tem de cumprir uma promessa. Na pratica são modificações de poderes de classe de acordo com temas de acordo com cada deus, no caso o livro abordam os deuses mais reverenciados pelos elfos. De certa maneira ele parece muito com a futura ideias dos archtypes, a diferença é que o mortal pode quebrar o pacto a qualquer hora, e ele só afeta uma única habilidade de classe. Como eles não aparecem em mais nenhum livro, ficou algo restrito as opções apresentadas aqui.

Magic: Mystical Meals – O artigo apresenta comidas mágicas, que são refeições elficas que concedem benefícios mágicos a quem se alimentar delas. Quem joga world of warcraft já deve fazer uma ideia de como funciona os efeitos de níveis altos de cooking. É uma ideia interessante no sentido que dá uma ambientação a mais sobre o que os personagens comem (antes que você torça o nariz, tecnicamente as lembas de Tolkien são um exemplo disso), mas ficou um pouco gratuito e solto já que assim como os divine pacts, a ideia não seguiu adiante (mas pelo menos criar novas mystical meals é muito mais fácil que criar novos divine pacts então a ideia é bem mais relevante). Um destaque engraçado é a New Life Soup que é quase uma vida extra, já quem quem beber da sopa se erguerá dos mortos da próxima vez que morrer por 10 minutos e depois cai morto de novo quando esse tempo acabar.

Social: Brightness Seeker Brightness Seeker é uma classe de prestigio que se encaixa bem na politica da Paizo de que classe de prestigio deve existir por um motivo e realmente deve ter PRESTIGIO. Anteriormente é descrito no livro o conceito do brightness (iluminação) que é um estado de evolução espiritual que muitos elfos procuram ao longo de sua vida. Está classe de prestigio é voltada para elfos que atingem um grau mais adiantado na busca pela iluminação. Em si ela não possui sinergia com nenhuma classe, ela só adiciona vários poderes relacionados com essa evolução espiritual e pode ser encarada como uma classe mais voltada para interpretação, nesse quesito ela satisfaz muito pois o histórico e descrição dela realmente instigam a fazer elfos que façam parte dessa classe (claro que campanhas assim não podem ter muito comprometimentos em ter personagens otimizados para combate).

Persona: Queen Telandia Edasseril – Uma das maiores incongruências da linha Companion (e que mais tarde é abandonada) é o capitulo Persona. Nele um NPC relacionado com o tema do livro é apresentado, e seria interessante se não fosse o fato do livro ser voltado para jogadores. Nesta edição o NPC apresentado é nada mais nada menos que a rainha dos elfos de Kyonin. É apresentada a ficha completa dela incluindo um item mágico único (the viridian crown, a coroa viridiana), assim como uma breve descrição de como ela pode ser usada em encontros com os jogadores. De certo modo até o lançamento do Inner Sea Magic, Telendia é a maga mais poderosa conhecida acessível aos jogadores (mesmo sendo apenas 15º nível) e combina bem com a politica da Paizo de não criar NPCs que tirem o foco heróico dos personagens. Apesar de ser louvável, dificulta um pouco quando os personagens precisam de um NPC para usar uma magia de nível alto (ou talvez isso seja bom também).

Draconclusão: Totalmente valido, principalmente para os fãs de elfos e fãs de Golarion. Mesmo sendo 3.5E, a maior parte do material ou não foi muito afetado pela mudança de sistema ou é muito fácil encontrar uma atualização por ai na net. Mas definitivamente ainda é a grande fonte de referencias sobre os elfos de Golarion já que mesmo no Inner Sea World Guide fala-se muito pouco sobre eles. Infelizmente a curto e médio prazo não existem chances dele ser atualizado ou ampliado (e ele merece, já que linha Companion evoluiu muito e até o Goblins of Golarion acaba sendo um livro superior em certos aspectos de produção e consistência).

Pathfinder Companion: Elves of Golarion (OGL)
Notas: Diversão: 8,0 Aproveitamento: 9,0 Arte: 7,5 Sistema: 8,5 Background:9,5 Nota Final: 8,5

Editora: Paizo Publishing

Autor: Jeff Quick and Hal Maclean

Arte: (capa) Ben Wootten, (interior) Julie Dillon, Andrew Hou, Eva Widermann

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Outubro/2008

Descrição: 32 páginas capa mole

Link para o livro

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Categorias:Reviews Tags:,
  1. guido conti
    setembro 13, 2011 às 12:29 pm

    Grande Draco,

    Matéria de alto nível. Como sempre.

    Abraços

  2. setembro 16, 2011 às 11:51 am

    Não precisa ser modesto, você está realmente fazendo um bom trabalho no site. Oferecendo informações de qualidade para o público brasileiro.

    • setembro 17, 2011 às 10:21 am

      Ainda existe muito espaço para melhorar. Mas eu espero ser util mesmo quando eu chegar no Pathfinder RPG em si. Embora o material seja muito bom, vejo que realmente a Paizo foi muito tímida no conteúdo pré 3.P comparado que que está acontecendo agora.

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