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Resenha – Pathfinder #9-Curse of the Crimson Throne Chapter 3: “Escape from Old Korvosa”

Depois de várias unanimidades (tanto a favor quanto contra), chegamos a primeira aventura da Paizo que gerou uma grande divergência de opiniões, alguns odeiam e alguns adoram. Pessoalmente eu gosto muito dela, mas posso compreender porque alguns não gostaram. EfOK é uma aventura focada no enredo, com elementos de culturas orientais (no caso cultura indiana, que eu adoro) e existe uma fuga envolvida (muitos jogadores odeiam fugir se é isso que o mestre quer que eles façam). Eu gosto de pensar que isso é coisa de americano, mas sou forçado a admitir que esse tipo de imaturidade aconteceria também no Brasil. De qualquer forma o feedback dessa aventura foi negativo o suficiente para a Paizo demorar um bom tempo em fazer uma campanha baseada em enredo novamente (na vindoura Jade Regent que será lançada em agosto de 2011), ainda bem que eles não desistiram de fazer campanhas com culturas exóticas se não Legacy of Fire não teria existido (uma adventure path com temática das mil e uma noites).

Escape from Old Korvosa (spoiler){Aventura para 7º ao 10º nível} Depois de tumultos, revoltas e epidemias, a situação em Korvosa só tende a piorar e a única esperança de salvação está no distrito de Old Korvosa que foi posto em quarentena se tornando uma terra sem lei. Apesar das criticas, EfOK possui muitos momentos em que existe um problema com diversas soluções possíveis iguais as aventuras anteriores, contudo, alguns momentos ela realmente força certas decisões como únicas decisões possíveis. Claro que o mestre pode conduzir seu jogo como quiser, mas ai ele estará por conta própria. E também a fatídica cena do filminho. E um ponto da aventura, certos eventos acontecem sem a interferência dos jogadores de forma que contam uma história mas não ocorrem de acordo com as regras do jogo (um NPC mata outro com um golpe só com uma arma improvisada), alguns grupos podem ter problemas com isso enquanto outros não, depende de quanto eles estão dispostos a aceitar que as vezes contar uma boa história pede que se esqueça as regras um pouco.

Fora isso, o resto da aventura é muito bom, continuando bem a sequência de eventos que vinham até agora. Finalmente começam a aparecer os NPCs mais interessantes na campanha para mim que é a brotherhood of bones (embora a ilustração da Laori Vaus seja horrorosa, passando uma ideia errada da personagem). Também senti falta de uma ilustração sem spoilers para mostrar a opulência da mansão da House Arkona, mas é perdoável.

Part one: Into the Dying City- Aqui se concentra a parte problemática porque representa a mudança no status quo da campanha quando fica obvio para todos verem que Korvosa está condenada e uma sequência de eventos que servem para por os personagens num curso de ação embora arbitrário, necessário. Provavelmente é o ponto mais perigoso de que os jogadores tentem “fugir da trama” tentando outras soluções para os problemas que podem envolver TPK e o mestre tem de ter muito jogo de cintura para conduzir os jogadores nesse momento turbulento. Pessoalmente eu pretendo dar uma de Ben Linus e tentar uns “mind games” (ou eu já estou fazendo isso agora ? Hehehe).

Part two: The Emperor of Old Korvosa- Apesar da dramaticidade da situação, eu vejo essa parte quase como um momento de descontração. Pense em todos os filmes onde os personagens devem invadir uma cidade sem lei isolada para conseguir algo lá dentro (Distrito 13, Mad Max 3, Fuga de Nova-Iorque) sem que ninguém saiba o que é e tendo de lidar com a loucura que de instaurou lá dentro. Grandes oportunidades de interpretação, ótimos NPCs e uma nova mecânica para um esporte sangrento (literalmente é um futebol americano trocando a bola por um porco vivo e o gol por um buraco com carcajus famintos).

Part three: Wrath of the Arkonas- Embora muito dessa parte seja descrito como uma dungeon, ela funciona mais como um tabuleiro de xadrez onde o movimento das peças dependerá muito das ações dos PCs. Por outro lado, é uma das poucas oportunidades de se ver uma mansão de uma rica família mercante urbana descrita em detalhes e pode ser reciclada para outras campanhas e situações.

Part four: The Vivified Labyrinth- Como no D&D em vez de tudo terminar em Pizza termina em dungeon, aqui temos algo que me deixou doido, uma dungeon com paredes moventes! (Putz, eu não via isso desde o tempo do livro vermelho do OD&D.) A dungeon nem é tão grande, mas dá forma como ela funciona pode ser um quebra cabeça divertido ou uma grande dor de cabeça para o mestre (tudo depende de sua capacidade de administrar todas as variaveis) muito criativa e que pode ser facilmente exportada para outras campanhas e com certeza fará muito sucesso.

Faces of the Earthbound Evils– Absolutamente fenomenal ! Esse artigo revisa de maneira sensacional os Rakshasa, dando a eles um novo histórico mais relacionado a cultura indiana, as suas origens e objetivos. Talvez eu tenha ficado tão entusiasmado porque adoro filosofias orientais e uma visão menos maniqueísta do cosmos e esse artigo me inspirou muito mesmo. Serve para qualquer mestre de D&D, mesmo que não jogue em Golarion, porque dá mesmo uma nova profundidade diferente de diabos e demônios a essa raça extraplanar. Nota 10.

The Red Mantis – Os red mantis são a organização maligna de assassinos de Golarion, eles são bem fanáticos e me lembram um cruzamento bizarro entre a irmandade escarlate e o clã Assamita de vampiro a máscara (onde derrubaram um Kamen Rider no meio). O artigo trás a maioria dos segredos da organização, seu funcionamento, hierarquia, objetivos, base de operações e uma classe de prestigio que representa os operativos de elite da organização (nesta versão 3.5E ela ficou muito parecida com o Assassino do livro do mestre, no Pathfinder RPG elas se diferenciam bem mais já que o assassino perde as magias e o red mantis assume como assassino “mágico”). A organização é sólida e exportável o suficiente para aparecer em outras campanhas que não Golarion. Vale muito a pena como organização maligna com tropas de “ninjas” sem serem ninjas mesmo.

Pathfinder´s Journal: Thin Air – Eando e seu novo parceiro exploram a fronteira entre as cinderland e Belkzen. Vários novos elementos e localidades de Golarion são apresentados (como orcs da montanha, quimeras e a própria Belkzen) e é uma história muito boa.

Bestiary – Os monstros novos são todos relacionados a Vuldra (reino indiano de Golarion) ou o Red Mantis. A tabela de monstros aleatórios fala sobre o que se encontra na parte mais barra pesada de Korvosa durante os eventos da aventura (e é pesada mesmo tem night hag na tabela, tenho quase vontade de escrever uma mini aventura para explorar sua existência na cidade).

  • Achaekek, The Mantis God: Achaekek não é um deus de verdade, mas trabalha para uns. A Paizo evita muito colocar fichas de monstros épicos e esse aqui é um deles com seu CR 30. Como eles já decidiram que o Pathfinder RPG usará uma forma diferente de lidar com jogo acima do nível 20 que a regra de epic level, não veremos outra versão da ficha dele tão cedo.
  • Beatific One: Uma nova categoria de outsider LE chamada de Asura. Também um dos poucos monstros com poderes de monge. Mulher demoníaca de três cabeças e seis braços da mitologia hindu.
  • Rajput Ambari: Um elefante morto vivo feito com magia hindu. Grande força de trabalho e ótimos poderes de controle de campo de batalha, lembra os olifantes de senhor dos anéis, só que morto vivo.
  • Rakshasa Maharajah: Versão turbo do Rakshasa (cr 18) e com uma mecânica interessante de ter duas iniciativas diferentes e agindo nas duas, não preciso falar que é o favorito da edição.
  • Sikari Macaque Swarm: Um enxame de macacos com raiva (a doença) devoradores de carne, essa Paizo parece se superar a cada edição. Se um dia eu escrever uma aventura bêbado, haverá um enxame desses escondido em todas as salas da dungeon 😛

Draconclusão: Como um todo Escape from Old Korvosa funciona apenas inserida no contexto de Curse of the Crimson Throne, mas ela possui elementos muito interessantes que podem ser explorados em outras campanhas (principalmente para quem gosta de mitologia hindu). Seu foco no enredo pode gerar problemas, mas eu recomendo que os mestres leiam a aventura e tirem suas próprias conclusões. De qualquer forma, tanto o artigo sobre os Rakshasas e sobre a Red Mantis valem a compra da edição e os monstros novos são bem diferentes e exóticos do que estamos acostumados como monstros de D&D. Recomendo bastante tudo.

Notas: Diversão: 8,0 Aproveitamento: 9,0 Arte: 8,5 Sistema: 9,0 Background: 9,0 Nota Final: 8,7

Pathfinder #9 -- Curse of the Crimson Throne Chapter 3: Editora: Paizo Publishing

Autor: Richard Pett

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Abril/2008

Descrição: 96 páginas capa mole

Link para venda


 

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Categorias:Reviews Tags:, ,
  1. abril 5, 2011 às 12:00 am

    Gostei dessa aventura também, acho que degringola depois disso, apesar das aventuras seguintes serem legais, elas fogem da proposta de um path urbano.

    As resenhas estão ótimas, continue por favor!. Só acho que você podia dar um destaque maior aos autores. O Richard Pett é fantástico, um dos meus favoritos.

    • abril 5, 2011 às 6:17 pm

      Mesmo saindo de Korvosa, ainda acho que o foco da campanha continua nela e muitos dos problemas de Korvosa vão atrás do grupo. Por isso eu acho a campanha mais “amarrada” que Rise of the Runelords quea linha que une as aventuras é bem tenue e os jogadores demoram muito para compreende-la.
      Obrigado pelo incentivo, mas como assim dar um maior destaque para os autores ? Comentar mais os outros trabalhos deles ? Talvez seja uma boa ideia, meus autores favoritos são Mike Mcartor e Nicolas Logue, pena que eles tenham saido da Paizo.

  2. abril 6, 2011 às 5:25 pm

    Exatamente isso, falar um pouco mais dos autores nas resenhas, pros seus leitores indo conhecendo mais os estilos de cada um. Tem livros que eu compro só pelo autor. Gosto muito do Nicolas Logue e do Michael Kortes.

    • abril 6, 2011 às 6:28 pm

      Eu confesso que a maioria desses autores eu conheci melhor apenas nos livros da Paizo. Eu pensei em falar sobre o Logue quando eu escrevi sobre Edge of Anarchy, mas achei que ninguém se interessaria. Vou estudar mais sobre o assunto nas próximas resenhas, obrigado mesmo.

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