Início > Reviews > Resenha – Pathfinder #8-Curse of the Crimson Throne Chapter 2: “Seven Days to the Grave”

Resenha – Pathfinder #8-Curse of the Crimson Throne Chapter 2: “Seven Days to the Grave”

Uma das melhores aventuras da Paizo até o momento, Seven Days to the Grave provoca o mestre e seus jogadores a enfrentar uma história sobre uma epidemia mortal nas ruas de uma grande cidade, e o mais incrível que mesmo com toda magia do D&D a aventura conta uma história funcional e crível. Toda a edição busca elaborar como lidar com o maior mal que afligiu a humanidade na idade média, mas que pouco é tratado em histórias de RPGs (principalmente D&D) e dentro de toda a tragédia que assola a cidade de Korvosa, ainda conta uma excelente história que aborda o problema dos múltiplos ângulos que ele pode gerar. Varias coisas nessa edição transbordam de criatividades e boas ideias de elementos superam a meta daquilo que se propõem, artes, novas criaturas e novas regras. O maior problema acaba sendo que o fim chega muito cedo, deixando o desejo por mais.

Seven Days to the Grave (spoiler){Aventura para 4º ao 7º nível} Um misterioso navio é afundado próximo a Korvosa, dando inicio a uma sequência de eventos que mudarão a cidade para sempre. A aventura é bastante não linear, lembrando um pouco uma aventura chamada Red Hand of Doom, onde existem dezenas de objetivos e ações que os personagens podem cumprir e cada um deles rende “pontos de vitória” e no final da aventura sabemos quem ganhou a guerra. Aqui os personagens terão todo poder em mãos, há coisas acontecendo e a depender de como lidarem com cada uma delas, graves consequências ocorrerão no futuro. Claro que existem algumas falhas, novamente alguns eventos fazem mais sentido numa ordem determinada e certas consequências lógicas das ações dos personagens são deixadas de lado (claro que cada mestre conhece melhor seu grupo, e o espaço da aventura não é infinito para uma trama dessa magnitude), mas no geral o saldo é muito positivo. Novamente nota-se um esforço muito grande do autor em permitir tanto uma abordagem investigativa, diplomática ou combativa; isso torna algumas situações meio esquizofrênicas (com vilões tomando mil e uma precauções para não serem descobertos para assim que os personagens jogadores passarem pela porta entregarem uma confissão de culpado numa bandeja de prata) carecendo de uma adaptação ostensiva pelo mestre de acordo com o enfoque que ele queira dar a seu jogo.

Part one: Infection- O começo da aventura pode ser bastante confuso com diversos acontecimentos que demonstram que algo está prestes a acontecer, mas que o grupo pode se envolver ou não, e as cenas que a aventura se propõe a se aprofundar não seria a primeira opção de muitos. Mesmo assim tem grandes oportunidades de interpretação e iniciativa própria do grupo.

Part two: A Damsel in Distress- Um assunto pendente da aventura anterior quase que puramente interpretativo (aqui está outra grande falha na aventura e uma excelente oportunidade perdida de questionar a situação dos personagens em relação ao governo da cidade, mas é muito facil improvisar alguma coisa já que provavelmente os personagens irão procurar problemas por conta própria).

Part three: Outbreak- Uma série de cenas para apresentar com toda malignidade até onde vão os problemas da cidade, o sucesso dessa parte depende totalmente da habilidade do mestre em passar toda a opressividade e sensação de impotência frente a tragédia iminente (grupos políticos tem muito o que fazer nessa parte).

Part four: Pestilence- A maior parte da aventura, várias missões (leia-se mini-aventuras) na batalha para salvar o maior números de vidas ao mesmo tempo em que pistas do que realmente está acontecendo vão surgindo. Devido a natureza da aventura, mestres que queiram criar suas próprias tramas podem enfiar n numero de missões extras sem problema algum, dá até para encaixar aventuras inteiras aqui sem fugir da trama (só respeitando o limite do tempo). Vários NPCs bem interessantes são apresentados.

Part five: Epidemic- A épica conclusão da epidemia ocorre quando os personagens juntarem pistas suficientes e, para variar, é uma masmorra. Devido a natureza da trama e a presença de personagens bem específicos é muito difícil a reutilização em outras aventuras (só o mapa mesmo). A situação final é um pouco forçada ou extremamente épica, tudo depende de como o mestre repasse ao jogadores e o quanto confiem que o objetivo é uma história bem contada.

Plague and Pestilence – Poderia-se anexar a esse capitulo o subtítulo de “regras avançadas de doenças”. Aqui discute-se o papel das pestes e doenças na sociedade da fantasia e uma comparação com a real e as diferenças de como ambas lidam com isso. Pelo menos no mundo de Golarion a conclusão que se chega é de que a magia ajuda mas o problema pode ser tão sério que nem ela pode dar conta devido a logística dos números em grandes centros populacionais. Tambem são discutidas doenças com grande potencial de contaminação (como dengue, peste bubônica, lepra etc…) e sua versão para D&D (creio que em Pathfinder que as doenças mudam bastante seu funcionamento, já tenha muito desse material).

Abadar – Abadar é a divindade responsável pela urbanização, comércio e leis. Este é o artigo mais completo sobre sua religião e portanto é bastante importante já que ele é a divindade que mais acumula funções administrativas em governos (muito do sistema monetário e judicial tem o envolvimento se não o total controle dos clérigos de Abadar). È discutido o papel de seus fieis, dos clérigos e dos paladinos, mitos e ensinamentos. Tambem tem conteúdo de regra com uma classe de prestigio de só três niveis chamada Justicar (focada no combate com a besta sendo uma espécie de paladino ordeiro e neutro (LN). Existem duas magias novas que servem mais para ambientação e é discutido listas de convocação e aliados planares. Como Abadar possui dois dos meus domínios favoritos (nobility e travel) e portanto esse artigo foi muito importante para mim e posso dizer que ele é muito bom mesmo para qualquer um que for jogar com um clérigo dele.

Pathfinder´s Journal: The Bloodwork Incident – Este capitulo do “Diário dos desbravadores” é a única fonte de informação sobre a cidade de Urglin, a ultima cidade antes de entrar no reino orc de Belkzen e talvez o unico lugar em Golarion onde humanos e orcs tenham uma convivência 9não necessariamente pacifica). Depois de deixar os Shoanti, Eando procura um guia que possa leva-lo dentro de Belkzen com resultados bem sangrentos. Estou realmente gostando desses contos meio viagem naturalista.

Bestiary – Na parte de monstros errantes, são discutidos os monstros errantes do Grey, o imenso cemitério de Korvosa. Os novos monstros são relacionados ao tema de pestilência (com exceção de um que é o arauto de Abadar como em toda edição que tem um artigo sobre um divindade de Golarion).

  • Daemon, Leukodaemon: Um dos meus monstros paizonianos favoritos de todos os tempos. A ilustração dele é pressão pura com asas negras e um cranio de cavalo. Os daemon tomam o lugar dos Yugoloths na cosmologia de Golarion como a raça neutra maligna (NE) e seus lideres são os quatro cavaleiros do apocalipse. Os Leukodaemon são os diáconos de Apollyon, o cavaleiro da peste. São arqueiros para rivalizar as Erinyes.
  • Daughter of Urganthoa: Uma entidade da deusa da peste e dos mortos vivos. Pouco útil fora de Golarion, mas bastante poderoso.
  • Giant Fly: Moscas gigantes e larvas de moscas gigantes (Grissom iria adorar)Possuem sugestões de variantes bem interessantes como uma mosca tsé-tsé gigante que causa uma versão mais forte da doença do sono.
  • Lawgiver: O arauto de Abadar. Os arautos são indivíduos únicos porem mortais, que são a mão de sua divindade no mundo. Este aqui é uma enorme estátua de ouro com um martelo que mais parece um altar de tão grande.
  • Nosferatu: Uma versão alternativa para o vampiro com um enfoque mais criatura nojenta que os sedutores da noite que estamos tendo que nos acostumar (exatamente como os nosferatu de Vampire).

Draconclusão: Seven Days to the Grave é uma aventura complexa, ela tem uma história bem amarrada mas ao mesmo tempo tenta dar liberdade aos personagens de conduzir a história ao seu modo. Eu diria que ela consegue até certo ponto (o que por si só é um mérito incrível), mas isso dilui um pouco a aventura fazendo com que ela pareça um pouco incompleta. Mesma assim é preciso admirar o esforço da Paizo de fazer isso justamente com um tema tão complexo e de difícil aproximação quanto uma epidemia. Essa aventura é um exemplo de narração e tem muito a ensinar em vários níveis (desde como conduzir tramas com problemas realistas num mundo de fantasia com magia, até métodos alternativos de condução de eventos. Mais uma vez a Paizo se superou conseguindo algo que julgava impossível. Com certeza um clássico que influenciou bastante o futuro do pathfinder (ver que mais tarde eles criaram campanhas inteiras com esse conceito, como Kingmaker e Serpent´s Skull).

Editora: Paizo Publishing

Autor: F. Wesley Schneider

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Março/2008

Descrição: 96 páginas capa mole

Link para venda

Notas: Diversão: 9,5   Aproveitamento: 10   Arte: 9,5   Sistema: 9,5   Background: 10   Nota Final: 9,8


Anúncios
Categorias:Reviews Tags:, ,
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: