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Resenha – Pathfinder Chronicles: Guide to Korvosa

Editora: Paizo Publishing

Autor: Mike Mcartor

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Fevereiro/2008

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Mesmo não sendo o primeiro produto da linha Pathfinder Chronicles (que mais tarde passaria a se chamar Pathfinder Campaing Setting), Guide to Korvosa teve o privilégio de ser o primeiro produto com material original (já que Rise of the Runelords Map Folio era apenas uma compilação de mapas). O livro dedica-se a ser um “guia de viagem” da cidade-estado de Korvosa (única cidade colonial reconhecida pelo império de Cheliax), tratando-a de maneira realista e de forma que possa ser lido pelos jogadores que se interessem em conhecer mais a cidade sem informações dirigidas exclusivamente ao mestre (com exceção co capitulo 5 que é onde segredos são revelados). Isso a torna muito útil aos grupos que estiverem jogando Curse of the Crimson Throne (a adventure path que estava sendo publicada na época do Guide to Korvosa) pois como a maior parte da aventura se passa nesta cidade, uma maior detalhamento da mesma ajuda bastante na imersão. Contudo, ambos os produtos são independentes o suficiente para funcionarem sozinhos (é possível jogar CotCT sem GtK, assim como é possível usar GtK sem CotCT). Acompanhando o livro existe um mapa poster da cidade, que por um erro de fabricação é bem difícil de destacar do livro (tanto é que na pagina do produto foram postadas instruções de como faze-lo sem danificar nada, algo que eu não consegui).

As belas ilustrações da Paizo são novamente magistralmente utilizadas para vislumbrar a cidade e seu povo (embora eu sinta falta da ilustração que abre o Player Guide to Curse of the Crimson Throne que mostra muito bem como é Old Korvosa e o Strait of Alika), porem achei a diagramação sisuda e sóbria demais para um livro de fantasia (que faz parecer um livro chato, quando é muito pelo contrario). Toda parte de mecânica de regras é concentrada num apêndice no final do livro(e são bem poucas, já que na época a Paizo estava decidindo se iria participar do D&D 4E ou seguiria sozinha), mas isso não torna o livro menos maravilhoso pois assim como Sandpoint no Pathfinder #1, a Paizo criou uma cidade envolvente, com vários problemas que não podem ser resolvidos por grupos de aventureiros (e muitos que podem, é claro) como drogas, pobreza, preconceito, corrupção e má administração mas também criou um povo orgulhoso e cheio de costumes e tradições que qualquer ser humano pode reconhecer em si mesmo. Korvosa proclama fidelidade a um império maligno, mas o faz por todas as razões erradas gerando grandes possibilidades de histórias e demonstrando que a Paizo sabe o que faz.

Chapter One: Intro – O livro começa com um resumo geral da cidade e de como o livro organiza seu conhecimento. São apresentadas coisas como símbolos, mentalidade do povo, gírias, impostos, comércio, crime e punição, e moeda. Geralmente só essa parte que costuma-se ver em livros de RPG falando sobre uma cidade mas aqui é só um começo. Gostei muito de como o livro descreve como são os tipos de residência na cidade e o que significa morar em cada uma delas.

Chapter Two: Places – O maior capitulo do livro. Como Korvosa é uma cidade estado, o livro é feliz em situar primeiro as circunstâncias que ela se encontra (cidades vizinhas e vilarejos vassalos) e que relação cada um deles tem com Korvosa. Depois disso a cidade é apresentada falando sobre seus diversos distritos e vizinhanças e locais mais exóticos como a Academae (que é um famoso colégio de magia que eu chamo de Hogwarts do mal) e o castelo Korvosa (um castelo construído em cima de uma pirâmide gigante). Nos resto temos as coisas tradicionais, bairro rico, bairro classe média, bairro pobre, bairro comercial, bairro administrativo e bairro cemitério (claro que nada é chato e tudo é divertido de ler cheio de detalhes interessante ou fofocas que podem virar tramas de aventura). Achei legal que detalhem custo de moradia em cada zona da cidade de forma a criar um vinculo de moradia que não seja a onipresente estalagem (tanto compra de residência quanto aluguel, faltou só linhas de crédito para a casa própria) e os mapas detalhando cada zona e como elas estão em relação a cidade (o lado ruim é que os mapas são bem pequenos, tive que recorrer ao mapa grande a todo momento).

 

Chapter Three: People – Apesar do nome, capitulo não fala apenas dos moradores importantes como também das organizações que formam a cidade. Ela é dividida entre administração, forças militares, nobreza, religião e submundo. O ponto de vista são as informações de conhecimento público (informações precisas são ditas apenas no capitulo 5), mas através dele temos uma boa idéia de como essas instituições funcionam. Korvosa tem um rei, mas ele funciona na pratica como um “prefeito pomposo” e muitos de seus poderes executivos são ponderados pelas casas nobres e o senescal do castelo Korvosa; e sua execução fica mais a cargo dos magistrados da cidade que funcionam como secretários municipais. Existem três forças militares, a guarda Korvosana que exerce ao mesmo tempo função de exercito e de policia, a Sable Company que de certa forma são um esquadrão de cunho naval e aéreo (montados em hipogrifos treinados) e a order of the nail dos Hellknights de Cheliax que ao mesmo tempo são uma força de elite de manutenção da ordem e um exercito mercenário profissional (pense uma mistura de espartanos com o BOPE).

Realizando o jogo de poder estão as casas nobres da cidade em que se destacam House Arkona, House Bromathan, House Endrin, House Jeggare, House Leroung e House Ornelos; mas o livro não deixa muito claro quais negócios cada casa controla como um todo, apenas servindo como pano de fundo para os individuo pertencentes a elas. Existe ilustrações dos escudos heráldicos das casas (algo que eu sempre gosto) e outras familias importantes na cidade. Também existe uma breve pincelada sobre as raças e etnias presentes na cidade, mas nada diferente do que consta no guia do jogador de Crimson Throne.

Chapter Four: History – A história de formação de Korvosa, de como uma colônia do império de Cheliax foi construída através da conquista de terras dos bárbaros Shoanti, das transformações que Korvosa foi tendo ao longo dos séculos e de como ela lidou com o abandono por Cheliax após sua guerra civil e sua eventual mudança para um governo “infernal” (a história desse mundo criado pela Paizo é bem complicada e cheia de ramificações e nem tudo tem apenas uma só verdade, por isso merece ser lida). Achei que o capitulo teve um final abrupto com a entrada de Korvosa na monarquia, mas no restante do livro há informação suficiente nesse período para se saber o que aconteceu (contudo, valeria a pena ter essa informação organizada aqui para fácil referencia).

Chapter Five: Secrets (Spoilers) – Aqui não existe conversa fiada, o autor é direto em dizer quem é o quê e porquê e de que forma. Coisas que pareciam estranhas no resto do livro, aqui são bem explicadas e sai cada coisa escabrosa que deixa qualquer leitor de cabelo em pé (se você emprestar este livro para um jogador ler, lacre este capitulo, porque você VAI querer usar esses plots). Algumas coisas se relacionam com as aventuras do Curse of Crimson Throne (como tudo relacionado a House Arkona e a família real), mas outras coisas não tem nada haver e até mesmo valeriam uma nova adventure path inteira (como a verdade sobre a House Ornelos e a Academae, ou o desastre prestes a acontecer por causa de um covarde maneta). Ainda assim existe muito espaço para um mestre criativo criar muitos outros segredos obscuros dentro de Korvosa (afinal toda a trama de CotCT é um exemplo disso).

Appendix – A primeira página desse capitulo deveria estar no capitulo Spoilers, pois tem uma lista de NPCs com suas classes e níveis e isso acaba revelando vários segredos. Nos resto temos uma ficha de um membro da Sable Company (uma das três forças militares de Korvosa, um grupo de Mariners que montam hipogrifos) e um novo talento para fazer parte dela, e uma tabela de encontros para as partes mais perigosas de Korvosa que também não deveria ser vista por jogadores.

 

Draconclusão: Embora eu tenha ouvido falar de um bom trabalho nas descrições das cidades de Forgotten Realms, meus únicos referenciais de suplementos sobre cidades são os livros sobre Sigil em Planescape e as cidades de Mystara. E baseado nisso posso dizer que o trabalho em Guide to Korvosa é muito competente e um dos melhores que eu já vi. O livro realmente nos faz visualizar as ruas de Korvosa e seu complexo povo, participar de seus problemas e ansiar por vivencia-los. Fora descrever a cidade de uma maneira enciclopédica, ela descreve de uma maneira viva e pratica que permite começar as exploração de seu contudo de maneira imediata. A leitura é prazerosa (com exceção de ficar tentando entender onde começa e termina cada distrito) e mesmo sem nunca usar a cidade como está escrita, certamente se ganha muito embasamento e ideias para construir ou incrementar sua próprias criações. Assumidamente Korvosa é a cidade mais bem desenvolvida de Golarion e um local onde não somente existem aventuras quanto drama para começar e terminar inúmeras histórias.

 

Notas:

  • Diversão: 9,5
  • Aproveitamento: 10
  • Arte: 8,5
  • Sistema: 7,5
  • Background: 10
  • Nota Final: 9,1

 

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Categorias:Reviews Tags:,
  1. abril 4, 2011 às 11:39 pm

    Gostei bastante desse livro. O legal é que só tem duas páginas de regras e todo o resto é só roleplay. Ou seja, é praticamente um livro “system free”.

    Meu livro de cidade favorito continua sendo Sharn – city of towers de eberron.

    • abril 5, 2011 às 6:12 pm

      Eu só passei os olhos pelo livro de Sharn, mas me pareceu bom mesmo. Mas minha cidade do coração ainda é Sigil de Planescape.

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