Início > Reviews > Resenha: Pathfinder#3: The Hook Mountain Massacre

Resenha: Pathfinder#3: The Hook Mountain Massacre

Sistema: OGL 3.5E

Lançamento: Outubro/2007

Campanha: Rise of the Runelords 3 de 6

Editora: Paizo Publishing

Autor: Nicolas Logue

Link: Pathfinder #3: The Hook Mountain Massacre

Sanguinolência, incesto, canibalismo, deformidades, podridão e violência chula. Se em The Skinsaw Murders foram expostos horrores do sobrenatural, em The Hook Mountain Massacre chega-se ao terror bem real e mundano, daqueles que qualquer um pode encontrar um dia. Claramente inspirado em Massacre da serra elétrica (The Texas Chainsaw Massacre no original) e outros filmes semelhantes (The Hills have eyes, episódio “Family” de arquivo X, episódio “The Benders” de Sobrenatural), HMM procura mostrar como criar tensão com coisas que podemos encontrar no mundo real, pois nenhum vilão de fantasia já cometeu atrocidades tão grandes quanto as pessoas normais. Até hoje esta aventura repercute como a aventura mais perturbadora da Paizo (embora eles estejam tentando se superar em Carrion´s Crown) e seu autor Nicolas Logue ganhou o status de pessoa com sérios problemas mentais por escrever coisas assim. Claro que após anos jogando num mundo escapista, essa dose de liberdade acabou atraindo muita gente ansiosa por um conteúdo mais adulto e maduro. E de certo modo até hoje as aventuras da Paizo tentam se manter do limiar de coisas que não se deve mostrar para crianças e aventuras juvenis como estamos acostumados, sendo essa um extremo propositalmente chocante.

The Hook Mountain Massacre (Spoilers): A aventura é feita para o 7º nível. Isoladamente a aventura tem um ritmo muito bom, várias reviravoltas intrigantes na trama mas ainda assim cheia de cenas heroicas emocionantes e combates desafiantes mais homogêneos (nas aventuras anteriores haviam muitos combates fáceis seguidos de encontros muito difíceis). O problema dessa aventura surge na ligação com as outras aventuras da campanha que causam estranheza em grupos mais focados na interpretação e verossimilhança da trama (como assim temos de atravessar para o outro lado do reino, quando estamos cheio de problemas em casa, para ver se um bando de desconhecidos está bem ? E de graça ainda por cima ?), mas é extremamente fácil criar motivações melhores e grupo pé na porta nem vão notar de qualquer jeito. As ilustrações da aventura estão particularmente muito boas, demonstrando toda asquerosidades dos Grauls, toda violência dos ogros e a caracterização dos NPCs (sem falar de uma ilustração de Shalelu Andosana que não pareça que ela tem um abacaxi no cabelo). Achei que faltou uma ilustração de Skull´s Crossing que passasse a urgência da situação (mas ai seria um baita spoiler para qualquer um que folheasse a aventura).

Part 1: In the Hook´s Shadow – A despeito de todos os problemas para se chegar do fim de Skinsaw para o começo de Hook Mountain, o começo da aventura é bem trabalhado para haver varias formas de se conduzir a aventura e a ordem dos eventos pode ser alterada conforme as necessidade de cada jogo. Grupos que tenham ficado paranoicos com as aventuras anteriores certamente irão revirar pedra sobre pedra em Turtleback Ferry (o que pode requerer que o GM tenha que preparar algum material original) mas mesmo assim certamente os Grauls ainda serão uma surpresa. Prepare-se para o pior, assistam os filmes recomendados e se divirta-se com a carnificina. Recomenda-se usar o baralho de críticos da própria Paizo para deixar as coisas ainda mais sanguinárias.

Part 2: Retaking Rannick – Muito boa a parte que o grupo deve retomar uma fortaleza de um bando de ogros, há muitas formas de se fazer isso e o grupo descobrir qual é a melhor é a framboesa do topo do bolo, pois eles sentem que estão no comando e sabem que a vitória será unicamente deles. Os inimigos são um pouco difíceis, mas compensa o fato de que simplesmente entrar arrebentando tudo é justamente o que NÃO se deve fazer aqui.

Part 3: Down Comes the Rain – Para variar um pouco, é legal ver um grupo de aventureiros tendo que lidar com uma catástrofe em andamento e tentar salvar vidas, vendo-os espremer suas capacidades de combate para outros usos que não o combate é uma experiência formadora de caráter. Novamente a Paizo prega um susto fazendo o que estava ruim ficar ainda pior, mas pelo menos aqui há todo um suporte para a situação não sair do controle. Não sei tecer tantos elogios quanto a situação final da aventura merece, um dilema moral que pode realmente fazer um grupo de jogadores pensar (foi aqui que eu soube que eu faria qualquer sacrifício para manter a assinatura das aventuras da Paizo mesmo que eu nunca jogasse, é sublime a maneira como essa aventura é tudo que eu espero de uma aventura de RPG).

Part 4: The Haunted Heart – Depois de três partes ótimas, a aventura começa a ficar meio corrida aqui. As ideias são muito boas, mas não tem o mesmo desenvolvimento estado da arte das outras partes (embora no meu jogo até que estas cenas acabaram ficando boas), é uma viagem pelo pântano meio sem conteúdo, mas pelo menos serve para ganhar folego para o final (eu suponho que o autor queria colocar mais coisas aqui, mas foi cortado porque a aventura havia ficado muito grande).

Part 5: Harrowing the Hook – Pode ser difícil de acreditar, mas o final de uma aventura tão boa é genérico e sem criatividade. As melhores cenas já passaram, a princesa está em outro castelo, e se os personagens não aceitaram o gancho da parte 4 existe pouco envolvimento emocional e motivacional de vir aqui (fora o tesouro e a experiência). Na pior das hipóteses vá no fórum da Paizo sobre o assunto e adicione várias sugestões para colocar agua no feijão.

Keeping the Keep: Um texto sobre possuir uma fortaleza e os desafios de administra-la. Fora um certo embasamento enciclopédico sobre o assunto, ele não dá subsídios para realmente tornar a fortaleza algo mais que um elemento de background, mas já é alguma coisa para quem gosta do assunto.

Varisia: Um artigo bem detalhado sobre a região de Varisia, falando de todas as comunidades maiores, ponto de interesse, acidentes geográficos e florestas. Essencial para quem usa Varisia como cenário de jogo (é até hoje o texto mais completo sobre o assunto). Fora isso, é uma região relativamente normal de fantasia medieval. Seu maior diferencial é a natureza politica da guerra de influencia das cidades estado de Varisia que tentam abocanhar o maior numero de territórios em suas esferas de influência. O outro conflito único da região que é a difícil relação entre os nativos e os conquistadores é melhor retratada na Adventure Path seguinte, Curse of the Crimson Throne.

Pathfinder’s Journal – Hand of the Handless: Neste conto, continuamos acompanhando as aventuras do Pathfinder Eando Kline explorando Varisia. Este conto mistura conta e suplemento enquanto ele visita a cidade de Kaer Maga. A cidade é muito boa, cheia de elementos criativos e toda atmosfera de cidade do submundo (estilo Skullport de Toril) só que com coisas típicas da Paizo como os Bloatmages (magos que usam magia do sangue, e aumentam tanto a produção de sangue em si mesmos que precisam se cobrir de sanguessugas para controlar o fluxo sanguíneo e não morrerem), ou os trolls aurors (adivinhos que vêem o futuro abrindo o próprio ventre com uma faca e examinando suas próprias entranhas). Só recentemente a cidade foi revisitada com o lançamento de City of Strangers.

Bestiary: Novos Undeads e aberrações, a temática desta vez parece ser coisas a se encontrar durante viagens, mas com duas excessões.

  • Smoke Haunt: É um monstro interessante para pegar aventureiros acampando a noite desprevenidos e pode render uma boa história de viagem, mas só.
  • Totenmaske: Morto-vivo alterador de forma e com poderes bem asquerosos. Lembra o Gyodai de changeman.
  • Skullripper: Gostei bastante da ideia desse construto em forma de escorpião colecionador de cabeças, excelente monstro de ruínas antigas.
  • Argoth: Aberração tentacular obrigatória em campanhas lovecraftianas.
  • Mother of Oblivion: Uma variação de monstro do lago para os CR superiores. Combinação assustadores de poderes contra grupos de Pcs.
  • Ogrekin: Grande estreante na aventura como a raça de meio ogros incestuosos. Há potencial de combo se usado como personagem jogador, principalmente se o mestre não enfatizar que a deformidade é aleatória.

Draconclusão: É seguramente uma das melhores aventuras da Paizo. Há combates e interpretação numa boa medida, possui reviravoltas na trama e seus maiores problemas são de encaixe na trama geral de Rise of the Runelords e uma expectativa para um final sem muito clímax. Os artigos complementares são bem escritos, mas tem pouco uso para quem não usar o cenário de Golarion (mas se usar, são quase essenciais). Vale a pena ler só pelas ideias apresentadas, mas cuidado, o autor usou de conteúdo com forte violência gráfica e psicológica (nível filme de terror do bom, mas ainda assim bem acima do que se vê em aventuras de RPG)

Notas:

  • Diversão: 9,5
  • Aproveitamento: 9,0
  • Arte: 9,5
  • Sistema: 9
  • Background: 9,5
  • Média Final: 9,3
Anúncios
Categorias:Reviews Tags:, ,
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: