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Archive for março \28\UTC 2009

The humankind is not that kind

É quase um twitter mas só queria deixar registrado que hoje eu estou cansado e sem muita fé na humanidade.
E olha que acabei de sair um uma sessão dungeoncrawl e cheia de testosterona. Acho que foi a decepção de não podermos virar a noite jogando, maturidade, tu és uma faca de dois gumes.

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Uma memória invencivel

Chegou lá. Depois que finalmente após varios envios meu Pathfinder Campaing Setting chegou na minha casa, fiquei decidido a mandar para a Paizo um livro brasileiro como agradecimento e como incentivo a uma presença maior da cultura brasileira em Golarion. 

Graças a uma boa sugestão de Eve, selecionei Viva o povo brasileiro de João Ubaldo Ribeiro. Achei na Amazon uma edição usada da versão em inglês (chamada de An Invencible Memory) que só me custou 4 dólares. Hoje recebi a confirmação que chegou na sede da Paizo. Espero que eles leiam e gostem.

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Podcasts e etc…

Pois é, vamos falar um pouco da minha vida. Ultimamente eu tenho ouvido muitos podcasts já que como eu estou cada vez mais contra a pirataria, fico sem ter o que ouvir. Ainda estou conhecendo coisas na podcastosfera, mas tenho gostado bastante dos podcasts do Kombo Podcasts, eles são divertidos e ainda tem bastantes news para quem não tem tempo de ficar caçando. 

Meu inglês é bom o suficiente para ouvir podcasts 100% em inglês (a não ser em casos de sotaques extremos ou muito carregados de girias) mas nada me cativou o suficiente quanto os podcasts brasileiros (e olha que só conheço uns dois de RPG).

Então, qualquer sugestão estamos ai.

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Criação de personagem: Padung III

Após mais um longo sono draconiano, voltemos aos trabalhos normais. Para variar minha vida esta uma confusão só e eu atrasei com tudo no blog (e nem se preocupem, não existem novidades nenhumas sendo preparadas, aqui as coisas são todas de ultima hora mesmo) e Padung agora já esta quase no 5º nível (a campanha é hardcore+) então vamos concluir antes que ele morra.

O que eu vejo por ai é que depois da conceitualização e histórico muitos jogadores deixam a personalidade do personagem para ser definida ao longo do jogo e inclusive deixando o próprio mestre ser apresentado ao personagem durante a partida sem ao menos tomar folego. Claro, nada pode ser escrito em granito nessa parte da cria;’ao de personagem, mas eu gosto de definir uma linha geral da personalidade antecipadamente até para não haver surpresas pelo narrador. Uma boa personalidade é como um guia interno para você definir aonde estão os interesses e metodologias do personagem alem do que é definido por tendencias, virtudes, vícios e lealdades.

Por exemplo, Padung é Caótico Neutro. Ele foi criado numa sociedade tribal cuja moral e costumes são tão diferentes da sociedade civilizada que ele é considerado caótico. E embora tenha sido criado numa sociedade maligna, ele tem a mente aberta a aprender como os humanos conduzem suas vidas e rejeita as características que ele considera autodestrutivas de sua tribo (como matar, pilhar e destruir quem não for da tribo), como ele aprendeu sobre os humanos na pratica e não por teoria ele é neutro (já que a grande maioria dos humanos é neutra). Se ele fosse um personagem de Storytelling, ele teria a virtude Temperança, porque ele acredita que muita coisa depende do seu próprio julgamento e que ele não pode ceder aos seus impulsos de qualquer forma. O vicio é orgulho, porque ele se vê como um dos escolhidos, e como ele é um xamã, um canal entre o outro mundo e esse, ele ainda é mais especial entre os escolhidos, o único com o discernimento verdadeiro de salvar seu mundo. Se ele fosse personagem de d20 modern, sua lealdade principal seria o Totem escorpião, pois é através dele que ele recebeu sua missão de ser a ponte entre os humanos e orcs. Depois sua lealdade seria a si mesmo, porque ele sabe que toda a sua vida ele foi apenas uma ferramenta que outros usaram para alcançar seus próprios objetivos e assim ele decidiu que também usaria os outros para sobreviver ao seu destino.

Contudo, isso não basta para tornar um personagem multidimensional. É preciso mais do que é exigido pelas regras para tornar um personagem vivo (claro que muitos realmente não sentem a necessidade de completar um personagem a este ponto), mas a partir desse ponto temos de levar duas coisas em consideração antes de prosseguir:

1- O personagem deve ser capaz de fazer parte do grupo. De nada adianta um personagem super detalhado que mataria seus amigos por um punhado de moedas ou seja absolutamente anti-social e solitário. Ele deve ser capaz de interagir com os eventuais outros membros do grupo. Não que ele deva sair de mãos dadas e saltitando por ai com os outros personagem cantarolando a musica dos saltibancos trapalhões, mas ele deve ser capaz de tolerar os outros personagens como aliados verdadeiros. Claro que nunca sabemos que loucuras os outros jogadores vão inventar por sua vez, por isso devemos ser capazes de modificar um pouco a personalidade diante o jogo para evitar conflitos iminentes (tipo certa vez que tivemos 3 rangers no mesmo grupo, um elfo com inimigo favorecido anões e orcs, um anão com inimigo favorecido orcs e elfos, e um meio-orc com inimigo favorecido elfos e anões, se mataram antes do primeiro monstro aparecer).

2- O personagem deve ser capaz de ir nas aventuras propostas. Não adianta também fazer um filho de mercador ultra complexo e mimado se ele nunca iria aceitar salvar uma vila de halflings ou ir atrás de um artefato no fundo do oceano. Nem sempre sabemos que gancho haverá para envolver o personagem, mas facilitar um pouco para o mestre não atrapalha, os personagens devem ter pontos fracos e carências que façam ele desviar de sua vida para viver grandes aventuras. Afinal, apenas ser heróico fica chato, uma feiticeira que ser a mulher mais bela do mundo, ou um halfling que quer provar ao mundo que halflings podem servir para outra coisa que não seja ladinagem podem ser boas motivações e ainda rendem material para o mestre criar novos enredos.

Voltemos a Padung. Ele parece ser alguem extremamente auto-suficiente. Ele é orgulhoso, obstinado e manipulador. Logo ele precisa de carências para ser alguem completo (paradoxal não ?), logo vamos direto ao obvio primeiro. Padung não teve uma educação nem ao menos básica, ele mal sabe escrever e as nuances do relacionamento humano lhe escapam (afinal ele vem de uma sociedade bem violenta), e como ele é orgulhoso demais para admitir isso, ele tende a associar-se a pessoas que ele considera aptas nesses aspectos e deixa que eles tomem a frente para ver como se faz. Alias, tudo é uma novidade para ele, a cidade grande é cheia de prazeres e sensações novas para Padung. Juntando a sua mente aberta, o torna curioso e sedento por novas experiencias, sabores e experiencias. Contudo, para isso é preciso ter poder e dinheiro (isso foi uma das primeiras coisas que ele aprendeu dos humanos), logo ele aceitará se arriscar para ganhar dinheiro e reconhecimento, dando acesso aos prazeres mundanos desconhecidos para ele desde que isso não o leve a se afastar de sua missão pessoal. Se alguem for um facilitador para tudo isso e ainda for alguem que o impressione ou o divirta, ele rapidamente correrá o risco de ganhar a amizade de Padung (embora as noções dele de amor e amizade sejam um pouco diferentes do esperado, mas ele esta aprendendo rápido). Ele também tem um senso de humor sádico e altamente sem noção, se ele descobrir uma forma de matar alguem que ele não considere importante, de maneira divertida e que ele não seja culpado depois, ele certamente o fará.

Por fim, a característica contraria. Ela é aquela coisa que ninguém que veja seu personagem sendo interpretado, acredita quando lê a ficha do personagem. Talvez um pouco como a natureza e comportamento do antigo storyteller, mas nem sempre algo tão predominante ao personagem, afinal em alguns pode ser toda a razão motivacional e em outros apenas uma peculiaridade engraçada. No caso de Padung é altruísmo. Ele pode ser um meio-orc selvagem, seguidor de um espirito psicótico, filho de um líder surtado de uma comunidade dedicada a matar, mas ele é a figura do salvador. A maioria dos poderes dele é de cura, ele é consciente de que não importa como ele viva sua vida, sua função dada pelos espíritos é impedir uma grande destruição ao mundo, tanto dos orcs, como o dos humanos. E ele valoriza a ambos, mesmo que ele saiba que não possui um lugar de verdade em nenhum dos dois mundos, pois ele entende que o mundo é um lugar de conflitos e que estes forjam os espiritos que herdarão o cosmos. Ele confia cegamente nos espiritos lhe dizem e esta disposto a dar sua vida se necessário, embora ela prefira sobreviver.

 

Ai esta Padung, um dos heróis que enfrentará os desafios da cidade acorrentada. Espero que esse texto ajude a inspirar a criação de grandes personagens mundo afora, e se possível, digam o que acharam nos comentários. Até a próxima.

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